sábado, 29 de julho de 2017

Musas do Wrestling #02 - World Wonder Ring Stardom

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Bem-vindos ao segundo Musas do Wrestling!

Nesta nossa segunda edição, e para complementar algumas informações do espaço da semana passada (que foi sobre o Mae Young Classic - e pode ser lido aqui), vamos abordar os principais aspetos que são necessários para se apresentar uma das mais importantes companhias exclusivamente de wrestling feminino do mundo, a World Wonder Ring Stardom, Kabushiki Gaisha Stardom para os nipónicos, ou apenas Stardom, para os amigos.


Apesar de poder ser considerada um pilar fundamental do desenvolvimento feminino do joshi puroresu, e do wrestling feminino em geral, sobretudo nos últimos anos, esta companhia foi fundada há não muitos anos em Tóquio , corria o ano de 2010.

A companhia surgiu dos esforços conjuntos de um grande nome das promoções de puroresu, que chegou a ter papéis relevantes de direção na All Japan Women's Pro Wrestling (AJW), Rossy Ogawa, de uma famosa wrestler e lutadora de MMA japonesa, Fuka Kakimoto e de uma veterana do puroresu, Nanae Takahashi.


O proprietário e fundador da Stardom, Rossy Ogawa, com Shanna e Io Shirai

Com tantos nomes de peso na sua fundação, a Stardom surgiu de forma abrupta, desde o início com bastante sucesso e nunca chegando a ser, propriamente, uma pequena companhia. O seu reconhecimento foi quase imediato, enquanto uma das mais válidas federações femininas do Japão e, hoje em dia, com a ascensão de algumas das suas principais atletas, do mundo.

O sucesso abrupto nos seus primeiros anos deveu-se sobretudo ao facto de Fuka ter conseguido treinar e tornar uma estrela de topo da companhia uma das "Gravure Idols" mais famosas do Japão, Yuzuki Aikawa. "Gravure Idols" são uma espécie de modelos promocionais nipónicas, que atingem expoentes de popularidade no país e, no caso particular de Aikawa, a sua popularidade aliada ao talento no ringue valeu-lhe, por dois anos, o título de Puroresu Grand Prize Winner, da Tokyo Sports.


Yuzuki Aikawa

Apesar do valor que a Stardom tem acrescentado à qualidade técnica do wrestling feminino, a companhia não esconde que tem como um foco muito importante a atractividade física e a beleza das suas atletas, tendo os catálogos de bikini e os calendários como uma importante fonte de rendimento, e dando alguma centralidade ao recrutamento de japonesas mediáticas noutros campos, como o caso que já exploramos de Aikawa.

Também é assumido que MMA é um ponto central de inspiração para a construção do move set de um vasto número das suas atletas, que pode justificar a relevância dos kicks nas suas ofensivas, por exemplo. Por outro lado, a cada vez maior inserção de atletas estrangeiras no roster, tem tornado o estilo da Stardom cada vez mais eclético.

Muito haveria a explorar sobre a forma como esta companhia foi crescendo, alicerçada neste tipo de recrutamento mas, também, na absorção de famosas e importantes wrestlers freelancers, como o caso de Io Shirai, que antes de se tornar figura de topo da Stardom, conquistava o Japão com a sua stable Triple Tails, constituída por ela, a sua Irma Mio Shirai e Kana (Asuka no NXT). Mas, para já, centremo-nos nos títulos existentes, que nos levarão às principais companhias da atualidade da companhia.


The Triple Tails (da esquerda para a direita, Mio Shirai, Io Shirai e Kana)

Na companhia existe um impressionante número de seis títulos ativos, cinco exclusivos da mesma e um em parceria com a British Empire Wrestling (BEW), a French Association Biterroise de Catch (ABC), a Mexican Women Wrestling Stars (WWS) e a Spanish Revolution Championship Wrestling (RCW), o SWA World Championship.

Começando então por aí, este título de várias promoções na área do wrestling feminino é relativamente recente, tendo sido disputado pela primeira vez em Maio de 2016, num evento conjunto da Stardom e da RCW, em Barcelona, por Io Shirai e Toni Storm (na final de um torneio de nove participantes). A japonesa acabaria por levar a melhor sobre a neozelandesa e mantendo o título na sua posse por 64 dias.


Toni Storm com o SWA Championship

No evento Stardom×Stardom 2016: Osaka Manatsu no Saiten, a 24 de Julho de 2016, Storm acabaria mesmo por ganhar este título, que mantém desde então. O combate da sua sagração como campeã é, sem duvida, um must see da companhia.

O principal título da companhia é o World of Stardom Championship, atualmente ao ombro de Mayu Iwatani, desde que o arrecadou a Io Shirai, no passado dia 21 de Junho, especula-se que em consequência da contratação de Shirai pela WWE. Este título existe desde 2011, e a sua campeã inaugural foi Nanae Takahashi (uma das fundadoras da Stardom que acima abordamos).


Io Shirai enquanto ainda tinha o "red belt", na com a atual campeã Iwatani

Este título é frequentemente denominado apenas de "red belt", em analogia com o extinto campeonato mundial da AJW, que teve como última campeã a mesma campeã inaugural do título principal da Stardom. Com esta análise, facilmente concluímos que este é o principal título feminino de puroresu da atualidade, que já teve, inclusivamente, uma europeia como campeã, a alemã Alpha Female (que poderão ver no Mae Young Classic com o nome de Jazzy Gabert).

O Wonder of Stardom Championship (e sim, os títulos têm mesmo quase todos nomes idênticos) é o segundo título mais importante da Stardom, e também se encontra na posse de Mayu Iwatani. Na prática, esta escolha de booking pode fazer muito pouco sentido, mas acaba por aparecer como a única escolha lógica à perda dos dois nomes maiores da companhia para a WWE, resultando numa fase de clara procura de novo rumo.

Mais uma vez, a clara homenagem/analogia a um título da AJW aparece, sendo este título frequentemente denominado de "white belt", como o All Pacific Championship, o antigo título secundário da companhia.


Mayu Iwatani com ambos os títulos

A sua campeã inaugural e Invicta, a também já falada neste espaço, Yuzuki Aikawa, que só abdicou do título ao reformar-se em 2013, após um reinado de 618 dias. A canadiana Sarah Stock (chamada Dark Angel na Stardom) é atualmente treinadora feminina principal do performance center e já deteve, também este título.

O Goddess of Stardom Championship é o título de tag team da Stardom foi criado em 2011 e tem como campeãs atuais a equipa Oedo Tai, de Hana Kimura e Kagetsu, que venceram o título a 21 de Junho deste ano.


A stable Oedo Tai (Kagetsu, Hana Kimura e Kyoko Kimura)

Quando surgiu, foi disputada a Goddess of Stardom Tag League que determinou que Yoko Bito e Yuzuki Aikawa fossem as campeãs inaugurais. No seu rol de ex-campeãs podemos encontrar, ainda, nomes como Kyoko Kimura, Kairi Hojo (Sane), Nanae Takahashi, Io Shirai, Mayu Iwatani ou Alpha Female.

O Artist of Stardom Championship é o outro título de tag team da companhia mas, neste caso, estão em competição equipas de três elementos, isto é, tipicamente six-women tag team matches. Este título surgiu em 2012, e as campeãs foram determinadas num torneio, que teve como vencedora a stable Saikyou Densetsu (composta por Act Yasukawa, Natsuki Taiyo & Saki Kashima).

Atualmente é a equipa Team Jungle (Hiroyo Matsumoto, Jungle Kyona e Kaori Yoneyama) que detém os títulos. Se analisarmos individualmente, foi Io Shirai que conseguiu o record de reinados, tendo campeã por cinco vezes, em equipas distintas.


As atuais campeãs, Team Jungle

O High Speed Championship é o último da lista de títulos da Stardom e, como o próprio nome indica, tem por objetivo premiar atletas roídas ou high flyers. Este título, adotado de uma outra promoção, a NEO Japan Ladies Pro Wrestling, teve como campeã inaugural Natsuki Taiyo, no ano de 2004 (ainda antes da criação da própria Stardom).

Durante este mês, no dia 16 mais precisamente, a campeã à data, Kris Wolf, perdeu o título para a portuguesa Shanna, que assim fez história ao tornar-se a primeira wrestler portuguesa a obter um título no Japão, juntando-se a um rol bastante restrito de atletas não japonesas a ganharem títulos na Stardom.


Shanna é a atual High Speed Champion da companhia

Como minha opinião pessoal, quem queira ter um panorama de compreensão do que esta promoção representa para os dias de hoje do wrestling feminino tem de ver, obrigatoriamente, o combate de Io Shirai contra Mayu Iwatani, que teve lugar no dia 22 de Dezembro de 2016 e que foi, de longe, o melhor combate que já vi de ambas, sendo que Shirai e Iwatani são do melhor que a Stardom tem ou já teve.

Este conselho pode esbarrar com um dos problemas que, creio eu, tem prejudicado a disseminação da qualidade da Stardom no Ocidente, a dificuldade em conseguirem-se os combates, que requer, aviso desde já, algum esforço.

Com esta sugestão vos deixo, esperando poder ler as vossas ou comentários a este espaço. Se tiverem, também, sugestões para novos temas, que gostassem de ver abordados e discutidos, sempre no âmbito do wrestling feminino, não hesitem em deixar no espaço para comentários.


Até para a semana!

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10 comentário(s):

House of Wrestling disse...

Grande artigo, parabéns!

Como entra em contato com você?

- disse...

super merecido, provando que a GFW comenteu um erro quando não a contratou, a Shanna.

dá para colcoarem aqui un shows deles?

Diego Meira disse...

Lembro de quando fiz um Alternativa Fenomenal sobre joshi-puroresu e pesquisei sobre a Stardom. É bastante curioso q mesmo tendo tanta contribuição ao wrestling (não só japonês, mas mundial também), a empresa ainda tenha o status de "promotora pequena". MEsmo assim, por tudo o q elas já produziram, é inegável q já possuem seu nome gravado na história deste negócio.

Luis Mira disse...

Awesome work 💪💪💪

Anónimo disse...

Apesar do valor que a Stardom tem acrescentado à qualidade técnica do wrestling feminino, a companhia não esconde que tem como um foco muito importante a atractividade física e a beleza das suas atletas, tendo os catálogos de bikini e os calendários como uma importante fonte de rendimento, e dando alguma centralidade ao recrutamento de japonesas mediáticas noutros campos, como o caso que já exploramos de Aikawa.

Se fosse na WWE, o post iria dizer que os calendários e os catálogos de bikini têm o único intuito de objetificar sexualmente as mulheres, demonstrando o explícito machismo e sexismo existente da companhia e de sua fanbase. No entanto, como a mentalidade da IWC aponta que "Tudo do Japão é melhor", nós devemos olhar para este caso como algo elogiável, respeitável e artístico.

- disse...

^ e não se pode ser atraente e boas no ringue ao mesmo tempo?

Fábio Santos disse...

Mais uma excelente edição Carla... sempre fui muito fã de divisões femininas nas companhias principais do wrestling, mas é bom saber que há companhias mesmo dedicadas ao wrestling feminino como é o caso da Stardom (parabéns à nossa Shanna pela conquista do título) e também outros casos como a Shimmer e a Shine Wrestling!

Que continues com o excelente trabalho e nos tragas mais coisas relacionadas com o wrestling feminino...

-, quanto à tua pergunta e tal como a Carla disse no artigo, é complicado achar os shows por completo mas podemos ver o que se pode arranjar! ;)

- disse...

^seria fantástico se o conseguissem, a sério.

Anónimo disse...

"^ e não se pode ser atraente e boas no ringue ao mesmo tempo?"

Em nenhum momento, eu escrevi que não poderia. O meu ponto do comentário foi o seguinte: quando a WWE faz fotos e vídeos com Maryse, Emma e Lana de bikini, certas pessoas comentam que a companhia ainda está mantendo uma imagem de exploração e objetificação sexual, mesmo que as três citadas são mulheres adultas e que concordaram com as gravações. Mas, quando isto acontece no Japão, é visto como positivo e até de engrandecimento delas e desta empresa japonesa.

Assim como também não retiro o mérito delas. Para terem essa atratividade e beleza física, elas devem trabalhar muito para manterem esses corpos, como ter uma vida saudável, fazer uma boa dieta e frequentar diariamente a academia.

- disse...

comparar a Lana e a Maryse....com as WRESTLERS acima....só mesmo com um sorriso nos labios.

;)