quarta-feira, 30 de maio de 2018

Literatura Wrestling | Yes! My Improbable Journey to the Main Event of Wrestlemania - Capítulo 8

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Está de volta a Literatura Wrestling, o espaço de traduções do blog que vos traz uma obra biográfica, na íntegra, reveladora das origens, vida e decorrer da carreira de alguns dos mais marcantes wrestlers que percorreram os ringues que acompanhámos com tanto gosto.

Todas as semanas vos traremos um excerto do livro "Yes!: My Improbable Journey to the Main Event of Wrestlemania", publicado em 2015 por Daniel Bryan e pelo co-autor Craig Tello, a contar o crescimento e peripécias do "Yes! Man" até à sua chegada à WWE e ao main event da Wrestlemania. Boa leitura!


Capítulo 8: O Justiceiro
Quinta-Feira, 3 de Abril, 2014 - 00:49

O líder do "Yes! Movement" anda até uma loja sem marca ou qualquer sinalização, mas um relance pela janela dá a conhecer o campo de batalha no outro lado da entrada. Jovens estão a disputar nos tapetes enquanto Bryan passa por um poster antigo de luta no Superdome em direcção a uma sala de treino onde o ar é espesso e o suor escorre depressa. Competidores de luvas pausam a sua sessão em ringue e viram a atenção para o ex-Campeão da WWE de 1,73m a entrar na sua arena. Lá, Bryan encontra Craig Wilson, um boxer/kickboxer na Power Mixed Martial Arts em Terrytown, Louisiana. Como ele explicou ontem, Bryan procura movimento e condicionamento, e não intensidade ou técnica, apesar de ambos serem impossíveis de não se absorver entre estas paredes, a cuidado de Wilson.

"Estou lá para mexer as ancas, " diz Bryan, "deixar tudo fluído e tornar tudo "líquido" para que quando chegue a Domingo, eu não esteja preocupado com o quão apertados estão os músculos flexores das minhas ancas ou qualquer coisa desse tipo."

Antes de poder chegar ao ataque e à forma, Bryan segue a orientação de Wilson para fazer um alongamento único na parede como prefácio aos exercícios que se seguem. Com as pernas letais do guerreiro da WWE esticadas para formar um Y, jurarias que era uma pose de "Yes!" modificada. São uma dupla tão incomum como alguma vez verão, com o pesado e deceptivamente veloz Craig Wilson a aceitar golpes visados de Daniel Bryan. O veterano de catorze anos do kickboxing introduz ao seu treinado Superstar algumas técnicas e combinações chave - patadas de múltiplas alturas, sequências de socos - e indicadores no posicionamento. Bryan gira à volta de um saco de kickbox, entregando uma sucessão de golpes de todos os ângulos para maximizar a velocidade a cada recomeço de uma patada. É uma sólida estratégia e certamente um método que poderá em breve colocar em prática dentro do círculo quadrado. Pela altura em que acaba, as canelas e tornozelos do "Yes! Man" estão coradas do impacto persistente, a sua camisola escurecida pela transpiração, e a pele dos seus pés descalços rasgada. Bryan está muito satisfeito. Também o Wilson, que comenta a oportunidade de trabalhar com o WWE Superstar que colidirá com o The Game na Wrestlemania.

"Eu conheço o background [do Daniel]. Ele é um wrestler muito explosivo e um estupendo wrestler," comenta Wilson. "Ele é muito bom no que diz respeito à técnica. Ele é muito rápido, muito ágil. Ele vai castigar o Triple H."

Para as patadas - não contrariamente àquelas transportadas de Jersey para o México e refinadas no Japão há uma década atrás - terem impacto, o "Yes! Man" opta por andar para a frente com mais treino de pernas. De volta para o New Orleans Athletic Club, escadas acima, para a enorme varanda sobre a piscina, para estocadas de ponta a ponta, seguidas de prensas de pernas e outros exercícios de peso.

Bryan anota o seu progresso no seu caderno - o mais recente numa colecção de muitos que acumulou ao longo dos anos. Ele explica que os seus primeiros exercícios foram ao começar o liceu, no seu quarto, usando o velho conjunto de pesos do pai. Na altura, Bryan tentou supinos e curvaturas de bíceps eram os limites dos seus treinos até ter tido uma aula de levantamento de pesos no liceu. Nos dias de hoje, aparece em ginásios de cidade em cidade pelo mundo fora para ser o melhor wrestler do planeta.



Pouco depois de ter começado a treinar na APW, recebi um e-mail de um homem chamado Gabe Sapolsky a perguntar-me se estava livre no dia 23 de Fevereiro de 2002 para o primeiro espectáculo de uma nova organização de wrestling que ia começar. Chamava-se Ring of Honor, e tornou-se a companhia à qual fui mais associado antes de ir para a WWE.

A inspiração para a Ring of Honor foi o torneio King of the Indies, de 2001, do Roland, que trouxe o talento independente de topo, de todo o lado. A ROH era originalmente propriedade do Rob Feinstein, que era dono da RF Video, uma companhia que vendia cassettes de wrestling. A RF Video fez a maioria do seu dinheiro a vender VHS da Extreme Championship Wrestling do Paul Heyman, uma companhia extremamente popular entre fãs de wrestling hardcore, mas a ECW encontrava-se encerrada desde Abril de 2001. A ideia deles era criar a sua própria companhia de wrestling usando as melhores estrelas independentes de todo o país, e não apenas para alguma coisa de uma noite só como o King of the Indies ou o Super 8, mas para uma corrente de espectáculos que preenchesse o vazio das vendas de cassettes deixado pelo fecho da ECW.

No seu plano de negócio, era na verdade aceitável perder dinheiro nos shows ao vivo - que estava destinado a acontecer com todos os voos que pagavam e todo o talento mais bem pago que traziam - desde que pudessem recuperar o dinheiro com vendas de cassettes. A ROH estava projectada para apelar à base de "fãs hardcore" que estava cansada do wrestling mainstream e à procura de algo diferente. A suposição era que os fãs que trocam cassettes e fãs da ECW por todo o lado iam querer vídeos da ROH.

O primeiro espectáculo intitulava-se Era of Honor Begins, e ocorreu no Murphy Rec Center em Philadelphia. Nessa noite, os oficiais da ROH foram muito espertos ao criar um evento principal que as pessoas quisessem ver. Eddie Guerrero tinha sido dispensado pela WWE após um incidente de condução intoxicado em Novembro de 2001, mas ele andava a lutar em todo o lado após o seu despedimento para provar que era um dos melhores do mundo. Os fãs adoravam o Eddie, logo ele foi uma excelente escolha para o evento principal contra um popular wrestler Mexicano da ECW chamado Super Crazy. Era um pouco um combate de sonho. Utilizaram o Eddie contra o Super Crazy para atrair pessoas para o espectáculo, mas o plano era prender as pessoas com o talento independente mais jovem e faminto e construir-se a partir de nós.

Nesse primeiro espectáculo, eu estava numa Triple Threat contra o Low Ki e o Christopher Daniels. O Low Ki já se tinha estabelecido como o mais quente jovem talento independente no Nordeste, e ele e eu tínhamos um historial de bons combates. Daniels era um wrestler independente conhecido por encabeçar por todo o país fora, desde Los Angeles e a Bay Area até Chicago e o Nordeste. Ele tinha vencido o original torneio King of the Indies e o Super 8 em 2000; além disso, ele lutou em televisão na WCW por um breve período antes do seu fecho.

Mesmo com um evento encabeçado pelo Eddie Guerrero e incluindo um número de estrelas de wrestling indie altamente talentosas, o nosso combate foi aquele que viria a conduzir "main events" para a frente, para o ano seguinte. Acabámos a ter um grande combate, muito devido à criatividade de Ki e Daniels, que já tinham estado em númeras Triple Threats, cada um. O finish viu-me a prender o Daniels no Cattle Mutilation e depois, comigo de cabeça para baixo e a fazer ponte sobre o meu pescoço, o Low Ki veio do topo com um 450º Splash sobre ambos. Foi uma manobra espectacular e ele acabou fazendo o pin em Daniels para vencer. Era exactamente o que a ROH precisava para se marcar como o lugar para ver excelente wrestling independente.

O primeiro espectáculo foi formidável, mas eu honestamente não pensei muito no assunto, porque muitas promoções têm ideias grandiosas e faliam pouco depois. Agendaram-me para mais alguns eventos além dessa noite, mas eu não contava necessariamente com isso como algo que ficasse. Como eu estava errado.

Pouco mais de um mês depois, a Ring of Honor tinha o seu segundo espectáculo, chamado Round Robbin Challenge. Gabe, que estava a cargo de agendar os combates e histórias para a ROH até finais de 2008, colocou-nos aos três num torneio "round robin", onde cada um de nós teria um combate de singulares com os outros. O programa abriu comigo a perder para o Daniels, que depois perdeu para o Low Ki a meio do show, antes de eu enfrentar o Low Ki no evento principal. Se Ki vencesse, ganharia o torneio; se eu vencesse, essencialmente seria um empate a três, acabando todos nós 1-1.

Espectáculos da Ring of Honor eram longos e estar no evento principal era sempre difícil porque todos os combates do card estavam a tentar roubar o show. Mas Gabe era esperto, e para o combate final, agendou o lendário lutador de MMA Ken Shamrock para ser o árbitro especial convidado, para dar ao evento principal uma aura especial. Dado o passado do Shamrock, Ki e eu lutámos um combate que era um híbrido de artes marciais e pro wrestling. Utilizámos Armlocks e Knee Bars legítimos, assim como patadas duras nas pernas e cabeça, mas depois misturávamos tudo com os elementos mais realistas e duros do pro wrestling. Inspirados pelo combate que o Regal teve com o Chris Benoit dois anos antes, para lhe dar um elemento mais realista e fazê-lo parecer uma briga, evitámos coisas como atingir as cordas. Acabei batendo o Ki quando ele desmaiou no Cattle Mutilation.

Bryan derrota Low Ki na ROH com o árbitro convidado Ken Shamrock
(Foto por George Tahinos)

De todos os combates que tivemos durante esse período, para mim esse foi o melhor, de longe. No geral, este segundo evento - ainda mais que o primeiro - cimentou o Low Ki, o Daniels e eu como os homens de topo na companhia. E após este espectáculo, a ROH tornou-se um agendamento mensal no qual podia contar, o que era bastante difícil de encontrar no mundo do wrestling independente.

Cada combate da Ring of Honor tinha spots altos porreiros, ao contrário de outras promoções, que tinham um plantel misto com alguns veteranos que preferiam focar-se em manobras tradicionais como agarrar num Headlock. Todos que trabalhavam no espectáculo estavam superfamintos e queriam ter o melhor combate da noite. Tinha-se mesmo a sensação de todos apontavam para roubar o show e ganhar nome por si próprio. Eu não tinha propriamente essa sensação noutras promoções.

O que tornava a Ring of Honor especial eram as suas normas, incluindo o seu Code of Honor. Uma das coisas que a ROH queria era garantir aos fãs que todos os combates teriam um resultado limpo e definitivo. Isto foi essencialmente em resposta ao quão prevalecentes eram as interferências na WWE no início dos 2000s. Também exigiam que os performers tivessem que apertar as mãos antes e depois dos combates, mesmo que essa regra acabasse por não durar muito. Essencialmente, a Ring of Honor destacava-se das típicas organizações de wrestling independente, e tinha o talento para o comprovar.

No próximo capítulo: Parece incrível que haja todo um capítulo dedicado à barba de Daniel Bryan? Então estejam cá para ler o nono e espantem-se! Mas para quê o espanto? Já viram bem a sua barba? É mítica! Não percam o breve nono capítulo e até pode ser que ainda saquem de umas dicas!

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