quarta-feira, 21 de março de 2018

Literatura Wrestling | Yes! My Improbable Journey to the Main Event of Wrestlemania - Capítulo 4 - Parte 3

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Está de volta a Literatura Wrestling, o espaço de traduções do blog que vos traz uma obra biográfica, na íntegra, reveladora das origens, vida e decorrer da carreira de alguns dos mais marcantes wrestlers que percorreram os ringues que acompanhámos com tanto gosto.

Todas as semanas vos traremos um excerto do livro "Yes!: My Improbable Journey to the Main Event of Wrestlemania", publicado em 2015 por Daniel Bryan e pelo co-autor Craig Tello, a contar o crescimento e peripécias do "Yes! Man" até à sua chegada à WWE e ao main event da Wrestlemania. Boa leitura!


(...)

A viagem de Aberdeen, Washington para San Antonio, Texas, é apenas um pouco abaixo das 2,500 milhas, e só existem mesmo duas estradas principais. Tomas a I-5 a Sul por mais de 1000 milhas até chegares a Los Angeles, e depois apanhas a I-10 a Este por mais de 1000 milhas até chegares a San Antonio. Bastante fácil, na verdade. Esta foi a minha primeira de muitas viagens longas pelo país e não só eu gostei, como descobri que sou bom condutor a longas distâncias. A única vez que parei foi para gasolina ou para dormir umas horas. Provavelmente tinha dado um camionista relativamente bom, apesar que o meu pai ficaria furioso. Ele tinha esse engraçado desdém por camionistas, tendo lidado com eles durante anos na indústria madeireira. A única regra que o meu pai realmente tinha para a minha irmã, em relação a namoros era esta: Nunca cases com um camionista.

Para a viagem, apenas trouxe na bagagem o que cabia no meu pequeno Geo Storm de 1992. Trouxe alguns lençóis, almofadas e um saco-cama. Tinha um saco de roupas, uma pequena TV com um VCR anexado e uma caixa com todas as minhas cassettes de wrestling, o que, de longe, ocupava mais espaço.. E era isso.

O carro foi-me abaixo algures no Arizona, o que me abrandou e custou algumas centenas de dólares (dólares vitais, devo acrescentar), mas além disso, a viagem foi agradável. A minha primeira noite em San Antonio? Nem por isso.

O MapQuest tinha meio acabado de se tornar uma cena, logo eu tinha os impressos e um mapa autêntico para me ajudar a descobrir como chegar aos apartamentos. Cheguei a San Antonio por volta das 23.00 a 25 de Junho de 1999. Quando lá cheguei, toda a gente na auto-estrada estava a buzinar e a gritar. Eu erradamente assumi que estavam a buzinar para mim, e fiquei muito nervoso. Segui numa saída mas o mesmo aconteceu. Finalmente tentei ir para o condomínio , mas pela altura em que o encontrei, era irracionalmente tarde e o escritório estava fechado. Havia uma mercearia ao fundo da rua, então eu estacionei para tentar dormir um pouco, visto que não sabia o que mais fazer. Pessoas continuavam a conduzir com as mãos na buzina e a fazer barulho, logo não só era impossível dormir, como eu ainda não fazia ideia do que se estava a passar.

Isto foi no final de Junho e estava um calor infernal, ainda mais dentro do meu carro. Eu não queria mantê-lo ligado porque ia-me gastar gasolina, mas estava tanto calor - especialmente para um puto que cresceu em Aberdeen - que eu continuava a ter que ligar o carro para doses rápidas de ar condicionado. Ocasionalmente abria as janelas, mas acabava por ficar assustado com toda a loucura das buzinas e da gritaria.

Eventualmente um homem da mercearia veio ter comigo e perguntou-me o que eu estava a fazer. "Oh, eu só estava meio a dormir aqui," respondi. "Não tenho mais para onde ir." Ele não quis saber. Ele disse-me que não havia nada de vagabundices e que eu tinha que avançar. Antes de ele se retirar, perguntei-lhe se todas as buzinas e gritos eram normais na área. Ele olhou para mim como se eu fosse um idiota e disse, "Não, eles estão a fazê-lo porque os Spurs acabaram de ganhar o Campeonato da NBA." Isso explicou. Sentia-me burro como um calhau enquanto me relocalizava para um parque de estacionamento grande de um shopping, onde ninguém me chateou durante o resto da noite. Não dormi nada, claro.

Apesar de ter chegado antes da minha data oficial de mudança, fui capaz de entrar no meu apartamento cedo, no dia seguinte, graças às senhoras simpáticas que lá trabalhavam. Notava-se que algumas eram mães pela forma como simpatizaram com a minha ingenuidade.

O apartamento era um pequeno T1. Partilhei-o com outro aluno chamado AJ da Florida, que dormia no quarto (muito devido a ele ter mesmo uma cama) enquanto eu dormia no meu saco-cama no chão da sala. Ele tinha por volta de trinta anos, o que parecia muito mais velho que eu na altura, tinha cabelo longo e negro, usava casacos de couro e tinha um carro porreiro. Ele parecia um wrestler e tinha, de facto, experiência em wrestling. AJ viera treinar com o Shawn à espera de, não só melhorar mas, como outros tipos que vieram para a escola, conseguir uma "entrada" na WWE.

AJ também tinha experiência de vida, o que ajudou bastante porque eu não sabia como fazer nada no que tocava a viver por minha conta. Por exemplo, eu nunca me apercebera que existe uma diferença entre líquido da louça regular e o que colocas na máquina de lavar louça. A minha família nunca teve uma. Coloquei líquido normal na máquina, liguei-a, e saí do apartamento. Quando voltei, havia espuma pelo chão todo. AJ soube imediatamente que eu tinha colocado o lava-louça errado e explicou a diferença. Depois ligou às senhoras simpáticas do escritório.

"A vossa máquina de lavar louça está avariada e inundou a nossa cozinha!" disse-lhes ele. Quando o reparador chegou para inspeccionar, perguntou se tínhamos utilizado o líquido errado, ao que AJ respondeu, "Claro que não. Acha que sou idiota?!"

Suspeitei que ele passasse por toda aquela charada porque não lhe apetecia limpar a espuma e achou que eu não o conseguiria fazer devidamente. Eu era assim tão abstraído em relação a tudo.

Pelo Inverno, AJ tinha saído de San Antonio, e começou a ficar frio. O apartamento estava gelado e não importava o quão alto eu tinha o termostato, o calor nunca saía. Passei mais de um mês embrulhado com as minhas roupas mais quentes antes de ligar, finalmente, para o escritório. O reparador chegou, olhou para o termostato por menos de três segundos, e pressionou um interruptor que dizia FRESCO para a posição que dizia CALOR. Senti-me um idiota por falhar algo tão óbvio.

A Shawn Michaels Wrestling Academy ficava numa parte desmazelada de San Antonio por cima de um restaurante Mexicano chamado Doña Juanita's. Não era bem o que eu esperava. Achei que seria mais como o WWE Performance Center é hoje, mas por dentro, havia apenas um ringue com algumas máquinas de levantamentos de peso, e era muito muito quente. Os gajos que viviam ao lado sentavam-se lá fora, encima dos seus carros, e bebiam cerveja o dia todo. Eu estava constantemente com terror a que o meu carro fosse arrombado ou roubado. Descobri mais tarde que alguém lhes estava a dar grades de cerveja para vigiarem os nossos carros. Não acho que o carro de alguém tivesse sido alguma vez assaltado.

No primeiro dia de treino, todos chegámos à Academia cedo. Eu fico nervoso a fazer praticamente qualquer coisa pela primeira vez, quer seja a ir para um novo estúdio de yoga ou a ter uma aula num jardim botânico. Necessário não será dizer que ao subir aquelas escadas e finalmente chegar ao momento da minha primeira aula de wrestling, tinha as borboletas no meu estômago a enlouquecer. AJ tinha-me dito que uma regra no wrestling era apresentar-te e apertar a mão a toda a gente no balneário, então eu cumprimentei todos os meus colegas. Alguma da malta já estava a rir-se e a brincar, e o conforto e descontracção que projectavam deixaram-me um pouco mais à vontade. Mas depois o balneário ficou silencioso quando Shawn Michaels entrou.

Shawn Michaels, na minha opinião, é o melhor wrestler Americano da sua geração. Ser o melhor em wrestling é subjectivo, claro, logo nem todos concordarão, mas ele era um verdadeiro Superstar a meu ver e o primeiro wrestler que eu conheci. Mesmo quando eu tinha sete anos, via-o como parte dos The Rockers quando ele chegou à WWE pela primeira vez. O meu amigo Schuyler imitava-o todo o tempo quando estávamos no ciclo. Este era o tipo que tinha ganho a Royal Rumble no primeiro pay-per-view que eu encomendei em 1996, e ele estava no evento principal da primeira Wrestlemania que encomendei, na qual ele competiu num combate Iron Man de 60 minutos com Bret Hart, para vencer o WWE Championship pela primeira vez. Se Shawn Michaels tinha um grande combate num pay-per-view, eu encomendava-o porque sabia que iria fazer valer o dinheiro. Ele tinha-se retirado um ano antes devido às suas costas que tinham ficado muito mal, e o sentimento geral era de que ele não lutaria outra vez. Quando ele entrou por aquela porta no primeiro dia, eu estava abismado de espanto.

(...)

No próximo capítulo: As coisas começam a ficar cada vez mais entusiasmantes! Não percam na próxima semana a última parte deste quarto capítulo, para aquilo que todos têm estado à espera: uma espreitadela às primeiras aulas aqui do nosso Bryan, com Shawn Michaels! E os amigos novos, já nossos conhecidos, que ele fez? Já sabem que têm que vir cá ler!

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