quarta-feira, 4 de maio de 2016

Brock Lesnar: Death Clutch - Parte III (Cap. 32) | Literatura Wrestling

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Com o objetivo de divulgar histórias contadas pelos próprios lutadores em livros adaptados e traduzidos pelos colaboradores deste blog, a Literatura Wrestling trás, nestes próximos meses, toda a vida de uma das estrelas mais conhecidas no mundo do wrestling atualmente num só livro.

Semanalmente será publicado uma parte do livro "Brock Lesnar: Death Clutch", escrito e publicado em 2011 pelo próprio Brock e por seu amigo de longa data, Paul Heyman, começando pelo prefácio e acabando nos agradecimentos (parte final do livro). Esperemos que gostem das histórias!


Parte III: A Espada na Minha Garganta
“O CAMINHO PARA A REDENÇÃO"

O UFC 100 foi marcado para o dia 11 de julho de 2009, no Centro de Eventos Mandalay Bay em Las Vegas, e o meu combate com Frank Mir pelo título indiscutível era a atração principal. Eu continuava a sonhar sobre o que ia acontecer nesse combate, e eu sabia que iria dar um pontapé certeiro no rabo de Frank e ia dar cabo dele.

Frank gabou-se tanto sobre como ele já me tinha derrotado, o que era uma coisa. Mas agora ele estava a andar por aí como se tivesse a tirar conclusões precipitadas de que ele iria derrotar-me de novo, e que ele já era um campeão. Ele está a andar por aí com um título falso, e ele acha que carrega com o mesmo significado que um título real? Frank teve a sorte de ter um combate com Big Nog pelo título falso quando Nog estava muito doente.

Frank estava a falar sobre como os meus socos eram como os que a irmã dele dava quando ela saltava para cima das suas costas quando eles eram crianças. A sério? Eu transformei a cara dele em carne de hambúrguer durante os oitenta e cinco segundos em que eu dominei o nosso primeiro combate, e agora ele estava a falar de mim como se eu fosse algum vigarista? Frank era tão arrogante, e isso só me fez querer dar um soco na cara dele com tanta força que eu arrancasse a cabeça de seus ombros.

Mesmo agora, só de pensar nele me faz querer dar cabo de Frank Mir novamente. E de novo. E de novo.

Quando eu tive que fazer a sessão de fotografias com Frank para a primeira revista da UFC, eu ficava a olhar para ele e a perguntar a mim mesmo, "Como é que eu poderia ter dado uma vitória a um tipo como ele? Como é que eu poderia deixar alguém como ELE ter a sua mão levantada contra MIM?"

Assim que começámos o campo de treinos, nós juntamos as peças sobre o que seria necessário para derrotar Frank. Foi fácil chegar a um plano de jogo, porque eu sabia que na minha mente, eu já o tinha derrotado pela primeira vez. Eu apenas tive que controlar Frank, e era óbvio para mim e para os meus treinadores que se eu tivesse as minhas mãos sobre ele, eu poderia controlá-lo facilmente.

Eu queria muito este combate, não apenas porque eu queria tornar-me no campeão indiscutível de pesos-pesados, mas porque eu queria a satisfação de dar cabo de Frank. Eu queria derrotá-lo no seu próprio jogo. Eu odiava o facto de que Frank estava a abrir a sua boca grande e gorda sobre como ele era um grande especialista em jiu-jitsu, e sobre como ele me mostrou a diferença entre o jiu-jitsu e wrestling, blá blá blá.

Frank afirmava que ele era este grande faixa-preta em jiu-jitsu. Grande porcaria. Ei, vamos encarar os factos... quando se trata de jujitsu, a verdade é que uma faixa preta não significa absolutamente nada para mim. Porcaria de faixa preta. Eu sou um faixa branca, mas eu derrotei um faixa preta no seu próprio jogo. Isso não deveria fazer-me um homem com faixa preta?

Frank fez-me desistir porque eu cometi um erro estúpido, e de repente, ele é o maior artista de submissão do mundo. Desculpem a todos, mas homens como Frank conseguiram faixas pretas com base em quantas horas passaram no dojo. As faixas vêm dos próprios instrutores deles. Eles não têm que derrotar alguém num combate real, a fim de ganhá-los.

O meu treinador não me deu o título da Divisão I de Pesos-Pesados da NCAA. Eu conquistei-o. A minha equipa de treinos também não me deu o campeonato do UFC. Eu mereci-o ambos por ter dado cabo de alguém pela honra de ser campeão. Eu merecia ser reconhecido como o melhor derrotando alguém mano-a-mano, no espírito de competição. Frank ganhou a sua faixa preta, porque ele pagou ao seu instrutor um monte de dinheiro ao longo dos anos e investiu no seu tempo. Grande negócio.

Um monte de pessoas falava sobre como eu virei as costas para Frank após o árbitro dar as nossas instruções no meio do Octógono. Eu acho que nós deveríamos tocar as luvas. Eu não estava com disposição para tocar as luvas com Frank Mir. Eu não tinha vontade de mostrar respeito a ele. Depois de toda a porcaria que ele disse sobre mim, era hora de lhe dar o troco. Ei, eu disse um monte de porcaria sobre ele também, e eu estava pronto para dar-lhe o troco no momento em que o árbitro dissesse que era legal para eu fazê-lo.

Já que nós estamos a falar sobre o tema de tocar luvas e todas essas coisas bonitas, vamos esclarecer uma coisa. Há uma série de regras e regulamentos no UFC, mas tocar luvas não é uma delas. Nenhuma comissão atlética estadual exige que os lutadores devam tocar as luvas antes de combater. Então, na minha mente, EU NÃO SOU OBRIGADO A TOCAR LUVAS OU A TER UM PINGO DE RESPEITO PELO MEU ADVERSÁRIO, seja antes ou depois de um combate. Isto não é um bando de crianças da vizinhança a brincar durante um dia ensolarado e brilhante no quintal. Isto é um desporto. Na sua essência, é um combate.

Eu fiz exatamente o que eu planejei fazer nesse combate. Eu derrubei Frank, controlei-o, e bati na sua cabeça repetidamente, e com intenções violentas. Eu embaralhei o seu cérebro antes do combate ser interrompidona segunda ronda. Eu desejei que o árbitro tivesse deixado o combate seguir mais alguns segundos para que eu pudesse ter a satisfação de esmurrar a cara de Frank mais algumas vezes.

Essa vitória foi muito emocionante para mim. Eu tinha esperado dezessete longos meses para fechar a boca de Frank, e senti-me tão bem quando eu finalmente fiz isso.

Então, lá estou eu, no Octógono, cheio de adrenalina da luta, público a gritar, luzes e câmeras na minha cara, Frank no canto com o rosto todo desfigurado, e Joe Rogan coloca um microfone à minha frente e pergunta "Ei, Brock, como é que te sente?"

Como é que me sinto?

Eu estive à espera por dezessete meses para esmurrar esse idiota exagerado do Frank Mir na cara, usando as minhas habilidades de wrestling para controlar o seu corpo, maltratá-lo como uma vadia. Eu estive à espera dezessete meses para provar a mim mesmo, ao público, a Deus, e a todos os outros que se importavam ou não se importavam, que esse tipo não se compara a Brock Lesnar. Eu estive à espera dezessete meses para dar cabo de Frank e bater na sua cabeça.

E foi aí que tudo veio à cabeça. Toda a emoção. Toda a raiva reprimida.


Primeiro, eu levantei o dedo do meio ao público com ambas as mãos, porque ainda estavam a vaiar-me. Eu nem sequer pensei nisso. Eu apenas fiz. Um pouco de WWE ficou em mim? Um pouco do lutador mau? Talvez. Então Mir veio até mim. Eu estava tão empolgado da vitória que eu não vi que Frank estava realmente a vir para apertar a minha mão. Tudo o que eu conseguia pensar era que eu dei o último soco, e agora eu teria a última palavra. Então eu fiquei cara-a-cara com ele, diretamente no seu rosto desfigurado.

Foi quando eu fui para o meu discurso.

Eu não sei porquê, mas aconteceu eu olhar para baixo e ver o logotipo da Bud Light no chão do Octógono, e desliguei-me. Bud Light era um patrocinador da UFC, e eles tinham muitas pessoas de lá no combate. Mas eles não eram patrocinadores de Brock Lesnar, por isso eu disse que eu estava a ir para comemorar bebendo "Coors Light, porque a Bud Light não me paga nada." Eu também mandei um "Eu poderia até dar uma com a minha esposa esta noite."

Ei, Joe Rogan perguntou-me como é que me sentia.

Bem, Joe, é assim que eu me sinto.

Dana não estava feliz. O proprietário do UFC Lorenzo Fertitta não estava feliz. Os meus advogados, que foram perseguidos pelo corredor por Dana e Lorenzo e a levarem uma bronca, não estavam felizes. Os meus próprios patrocinadores, sentado a poucos passos de distância, não estavam felizes. Ei, se isso vosimporta, eu estava muito feliz. Bem,pelo menos eu estava feliz por mais um bocadinho.

O que eu deveria dizer? "Parabéns a Frank Mir por um grande combate"?

Estão a gozar comigo? E para além disso, não há nada demais para essa história. Eu não sei quantos problemas eu vou causar revelando qualquer coisa disto, mas é a verdade, e é por isso que estou a contar essa história no meu livro. Se alguém tem uma versão diferente, escreva o seu próprio maldito livro e diga ao mundo como é que vêem isso!

Cerca de um mês antes do UFC 100, Dana e Lorenzo voaram para Minnesota para negociar um novo contrato comigo. Os meus advogados e eu levamo-los para um passeio rápido no ginásio DeathClutch, e em seguida, fomos para um resort local para sentar e conversar.

Para além do contrato, discutimos maiores possibilidades de patrocínio. Eu pensei que as pessoas do UFC estavam a definir alguma coisa para mim antes do UFC 100, mas nós nunca ouvimos nada sobre isso novamente.

Eu não sei se eu deveria estar chateado com isso, ou se é apenas uma daquelas coisas. Eu não sou o homem mais fácil do mundo de se conviver. Eu também não sou alguém que gosta de ser manipulado, então esta coisa de Bud Light estava em algum lugar no fundo da minha mente durante o combate com Frank Mir, e quando vi o logotipo no chão do Octógono, o gatilho disparou. Ei, eu estava no topo do mundo, a olhar para baixo. E quando eu olhei para baixo, vi que grande logotipo da Bud Light, e tudo o que passou pela minha mente era quanto dinheiro a UFC estava a fazer com aquele patrocínio, e quanto eu não estava.

Toda a gente teve um gosto de Brock Lesnar naquela noite. Não filtrado. Eu disse o que estava na minha mente. Sem script. Sem porcarias. Alguns gostaram do que ouviram, outros não. Eu não quero saber.

Antes da conferência de imprensa naquela noite, Dana levou-me para uma casa de banho e fez-me saber o que estava na sua mente. Eu disse mais tarde naquela noite que foi uma "sessão de chicotadas", e acreditem em mim, foi. Dana estava a tentar executar um negócio onde todos nós poderiamos ganhar um monte de dinheiro juntos. Ele explicou que irritar os principais patrocinadores não era a maneira de fazê-lo. E como eu estou sendo honesto aqui no meu próprio livro sobre isso, deixem-me dizer que ele não fez a sua explicação tão bondosamente. Ele estava chateado comigo, e a verdade é que ele tinha todo o direito de estar.

Isso foi provavelmente a viagem mais rápida do mundo à casinha de cães. No momento em que começamos o nosso caminho da base da arena até a conferência de imprensa, eu tinha-me recomposto, e o lado profissional tomou conta de mim (se houver). Eu tinha encontrado um barril de Bud Light numa das estantes no caminho, e peguei-o e estava a levá-lo no meu ombro, mas Dana viu o que eu estava a fazer e negou a ideia. Eu ainda acho que teria sido muito engraçado. Imaginem só a reação que teríamos conseguido se eu tivesse entrado na conferência de imprensa com um barril de Bud Light nos meus ombros.

Os meus advogados colocaram uma garrafa de Bud Light na minha mão antes de entrar na sala da conferência de imprensa, e eu coloquei-a à frente e no centro do meu microfone quando me sentei para enfrentar os media. Todos eles deram umas boas risadas nisso.

Como eu sou um "verdadeiro homem de génio," eu também pedi desculpas à Bud Light. Eu disse a eles: "Eu não sou preconceituoso. Eu bebo qualquer cerveja.”

Eu serei o primeiro a admitir, eu fui pouco profissional naquela noite. Mas apesar de todas as consequências da minha explosão, eu estava tão feliz quanto eu já estive em toda a minha vida. Eu tinha encontrado uma carreira que me animou, mas que também me permitiu estar com a minha família. Eu era casado com a mulher que eu amava e sabia que eu iria passar o resto da minha vida feliz com ela. Rena tinha acabado de dar à luz ao nosso filho Turk, um bebésaudável. Eu estava a ganhar um bom dinheiro. Eu estava a sustentara minha família como eu sempre quis, e não havia qualquer coisa necessária que nós não tínhamos.

A vida não era apenas boa, era ótima. Este foi o maior momento da minha vida.

E depois quase que morri.

Traduzido por: Kleber (nWo4Life)

Adaptado por: FaBiNhO

No próximo capítulo: No próximo capítulo, Brock Lesnar nos contará sobre um momento muito delicado em sua vida! Se você perder o próximo capítulo, ganhará uma passagem só de ida para Suplex City!

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