terça-feira, 26 de abril de 2016

Brock Lesnar: Death Clutch - Parte III (Cap. 31) | Literatura Wrestling

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Com o objetivo de divulgar histórias contadas pelos próprios lutadores em livros adaptados e traduzidos pelos colaboradores deste blog, a Literatura Wrestling trás, nestes próximos meses, toda a vida de uma das estrelas mais conhecidas no mundo do wrestling atualmente num só livro.

Semanalmente será publicado uma parte do livro "Brock Lesnar: Death Clutch", escrito e publicado em 2011 pelo próprio Brock e por seu amigo de longa data, Paul Heyman, começando pelo prefácio e acabando nos agradecimentos (parte final do livro). Esperemos que gostem das histórias!


Parte III: A Espada na Minha Garganta
“UFC 91: MEU COMBATE VS.RANDY COUTURE"

Foi-me dito que o meu próximo combate no UFC ia ser contra Cheick Kongo, o kickboxer e lutador de Muay Thai vindo da França. Kongo é um dos lutadores de MMA que possui uma maior ofensiva, e eu pensei que iria conseguir combater bem contra ele, porque eu poderia facilmente levá-lo ao chão e controlá-lo.

Então, recebi a mensagem de que Dana White queria oferecer-me a oportunidade de uma vida. Eu não iria maiscombater contra Cheick Kongo. Eu iria combater contra Randy Couture pelo UFC World Heavyweight Championship.

Randy é o Padrinho do MMA, uma lenda viva que ainda é um velho filho bastardo. Randy estava chateado com o UFC quando as negociações para um combate contra Fedor Emelianenko acabaram mal, e o pessoal de Randy disse que ele poderia "retirar-se" doUFC enquanto ele ainda era campeão, e depois ir combater por outra organização. Pelo que eu entendi, a ideia era que Randy iria para outro lugar para ter mais ação e um cheque maior. O UFC e Randy acabaram exatamente como eu e a WWE. Todo o mundo estava a processartodo o mundo, o que significa que um monte de tempo e dinheiro estava a sergasto, sem retorno sobre esse investimento.

O UFC tomou a decisão de criar um "título temporário", que eu gostava de chamar o "título falso", já que para ganhar esse cinto, tudo o que tinha a fazer era derrotar o outro candidato. Se queres governar por cima de um reino, tens dederrubar o rei que está a ocupar o trono. Randy era o rei da divisão dos pesos-pesados, mas o UFC cansou de esperar por ele para defender a sua coroa, então eles pensaram e decidiramfazer algo como o Vince McMahon e transformaram uma situação mánuma máquina de fazer dinheiro.

O plano era primeiro liquidar a ação judicial com Randy. Os advogados do UFC colocaram-o contra a jaula, porque não havia nenhuma maneira dele ser capaz de saltar para outra organização, enquanto ele ainda estava sob contrato com o UFC. Nenhum juiz ia comprar o esquema de "retirada" e de seguida permitir que Randy "saísse da sua retirada" apenas para que ele pudesse conseguir o combate contra Fedor.

Assim que as coisas acalmaram, Randy iria defender o título contra mim. Enquanto isso, outros dois pesos-pesados iriam batalhar pelo título falso... digo, o título temporário... e então os dois campeões iriam encontrar-se pelo Undisputed UFC World Heavyweight Championship. A decisão foi um exemplo de génio do marketing, uma situação em que todos saíram a ganhar.

Couture resolveu a sua ação com o UFC e concordou em defender o seu título no UFC 91 no dia 15 de Novembro de 2008, no MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas. Eu não poderia pedir por uma maior ou melhor oportunidade na vida.

Um monte de fãs hardcore do UFC estavam ressentidos pelo facto de que eu estava a receber uma oportunidade de título apenasno meu terceiro combate no UFC, o meu quarto combate de MMA no geral, mas a minha atitude era muito simples.

Que se lixem eles.

Só um tolo é que recusaria a oportunidade de lutar contra Randy Couture pelo campeonato dos pesos-pesados do UFC em Las Vegas. O que é que eu deveria fazer? Dizer "não, obrigado"?

"Oh Meu Deus, Sr.White, eu não sou digno"?

“Eu preciso de mais alguns combates antes de eu ganhar a aceitação do público para me tornar no pretendente ao título de pesos-pesados de Randy Couture!"?

Eu aproveitei a oportunidade que me foi apresentada, e eu aproveitei-a ao máximo. Isso é o que um lutador faz. Isso é o que qualquer empresário faria.
VOCÊS não fariam isso pela VOSSA família?

Tantos atletas que vão para um grande combateestragariam a cabeçaouvindo os críticos e aqueles que se dizem especialistas. Todo o mundo estava a dizer que eu não pertencia naquele combate. Que eu não o mereci. Randy tem muita experiência, eu continuava a ouvir. Eu, entretanto, não tinha habilidades. Mas eu nunca comprei a expetativa, a publicidade ou o marketing. Ignoreitudo. Quando entram no Octógono, a campanha publicitária não significa nada. Reputações não significam nada. Nada mais importa, a não ser o que acontece quando eles fecham a porta da jaula.

É tão puro. Dois gladiadores. Um ganha. O outro perde.

Quando o árbitro dá instruções aos dois guerreiros para "combater", a verdade sobre um homem vai ser revelada. Vinte mil fãs a gritarem. A audiência mundial do pay-per-view. Todo o mundo a assistir cada movimento teu. Todo o mundo a querer que os holofotes estivessem sobre eles naquele momento.

Se não te preparares mentalmente, estásapenas a dirigir-te para uma derrota. Ou acreditas em ti mesmo, na tua academia, nos teus treinadores, e em quem tu és... eo que podes fazer... ou não acreditas.

No momento em que me ofereceram o combate pelo título contra Randy, eu tinha-me mudado para Alexandria, Minnesota, que é cerca de três horas a noroeste de Minneapolis. Criei o meu próprio centro de treinos, o DeathClutch Gym.

Eu coloquei o meu antigo treinador de wrestling, Marty Morgan a comandar o campo. Greg Nelson e Erik Paulsonentraram no barco como os meus treinadores de MMA, e trabalharam comigo na minha defesa de submissão, golpes e plano de jogo geral. Eu estava a combater contrao campeão da Divisão I da NCAA por duas vezes, Cole Konrad, e o All-American da Divisão II da NCAA por duas vezes, Chris Tuchscherer. Eu trouxe alguns homens grandes e duroscomo Kirk Klosowsky e Jesse Wallace,portanto eu sempre tive pessoas que poderiam puxar-me maistodos os dias. Quando eu precisava de trabalho em habilidades específicas, nós iríamos contratar a melhor pessoa disponível, como o campeão mundial de Jiu Jitsu Brasileiro por 7 vezes, Rodrigo "Comprido" Medeiros.

Eu atualmente gosto de Randy Couture. Bem, eu gosto dele agora. Eu não deixei o seu estatutode lenda entrar na minha cabeça antes que entrassemos no Octógonoum contra o outro. Indo para esse combate, eu ficava a lembrar-me da lição que eu tinha aprendido contra Wes Hand. Eu não queria ter qualquer respeito por Randy. Ele estava no meu caminho, um obstáculo a ser superado no meu caminho para o campeonato dos pesos-pesados do UFC. Randy Couture estava a impedir-me de proporcionar uma vida melhor para a minha família, e essa é a única maneira que eu queria olhar para ele.

Quando entras no Octógono com Randy, não estás apenas a lutar contra ele, estás a lutar contra tudo o que ele realizou no desporto de artes marciais mistas também. Seria fácil para qualquer um ser intimidadopelo seu passado, para seres admirado com o lutador de pé do outro lado do mesmo Octógono que tu. Mas eu sabia que, assim que eu pensasse: "Uau, este é Randy Couture, ele é isto e é aquilo", eu estaria acabado. Eu já teria perdido o combate, mesmo antes decomeçar.

Então eu disse a mim mesmo: "Eu já sei o que Randy Couture é. Agora eu quero descobrir o que ele não é."Essa é a grande diferença entre mim e todos aqueles que ele derrotou. Eu não entraria no Octógonocolocando Randy em algum pedestal acima de mim. Eu nem sequer olharia para ele como um igual. Olhei para ele como alguém que eu queria derrotar. Na minha mente, não tinha dúvidas de que eu era o melhor homem, o campeão mais merecedor.

Assim que pisei o Octógono naquela noite, a arena inteira estava a vaiar-me comuma paixão. Fez-me lembrar os meus dias como um heel na WWE. Os fãs do UFC não queriam ver o seu herói esmagado por um "falso” lutador profissional vindo da WWE. Eles queriam ver Randy a mostrar que eu não pertencia ali, derrubar-mee enviar-me de volta à porta de Vince McMahon numa caixa.

A partir do momento em que o público teve a primeira visualização de Couture, os gritos de "Randy... Randy... Randy!" encheram a arena. Por muito que o público estivessea vaiar-me, eles estavam a torcer por Randy Couture. Eu estava a adorar cada momento disto. Eu sabia que ia ganhar. O meu treino atingiu o pico no momento certo. A minha confiança estava em altas depois de tanto tempo. Eu olhei através do Octógono, e tudo o que eu via eraa pessoa que eu iria esmagar e derrotar pelo título dos pesos-pesados. Eu estava a minutos de distância de ser capaz de dar a melhor vida possível para a minha família.

Durante a primeira ronda, eu ouvi o conselho dos meus treinadores, e apenas tentei sentir Randy. Poderia levá-lo contra a jaula? Poderia manobrá-lo? Iria-me deixaralgumas aberturas?

O modo como eu estava a sentir Randyera que ele estava no seu velho pão com manteiga, e tentou-me levantar contra a jaula, onde poderia usar o seu boxe sujo contra mim. Mas eu pressenti isso, dei um golpe e levei-o para o chão, onde fui capaz de controlá-lo. Todos os três árbitros tinham-me a mim como vencedor da ronda nas suas anotações.

Fui para a segunda ronda, e apanhei Randy com a mão direita, mas ele respondeu e apanhou-me com uma direita que fez um corte acima do meu olho. Randy viu o sangue e pensou que me tinhaabalado, e ele veio para terminar o trabalho. Foi quando eu descarreguei sobre ele. Eu acertei-o atrás da orelha esquerda com um golpe sólido, e ele caiu.


O momento em Randy caiu, eu saltei para cima dele. Eu sabia que era a minha oportunidade de acabar com ele, e eu não ia parar até que o árbitro, Mario
Yamasaki, me puxasse e me declarasse o vencedor. Eu ataquei Couture sem misericórdia. Era exatamente como ir à caça. Eu nunca ia dar-lhe uma oportunidade de escapar. Eu apenas continuei a mandar os meus punhos para cima dele tão duros o quanto eu poderia. Eu podia sentir o gosto da vitória, eu podia sentir a vitória a apenas alguns momentos de distância.

E então foi quando Yamasaki parou a luta, e declarou Couture incapaz de se defender de forma inteligente do meu ataque. A Lenda tinha sido derrotada. Eu era o UFC World Heavyweight Champion!

Derrotar Randy Couture pelo título foi um grande momento para mim, mas no fundo da minha mente, tudo em que eu conseguia pensar eracolocaras minhas mãos sobre Frank Mir novamente. Por muito que a conquista do título fosse o maior momento profissional que eu já tive, perder esse primeiro combate no UFC para Frank ainda estava a incomodar-me.

Enquanto isso, o UFC ainda iria coroar um campeão “temporário”, e ele iria enfrentar-me pelo título incontestável. Eu tenho que deixar tudo com Dana White e o marcador de combates do UFC, Joe Silva, porque eles realmente sabiam o que estavam a fazer. A luta pelo título temporário ia ser entre Antônio "Minotauro" Nogueira e... vocês adivinharam... o meu velho amigo Frank Mir.

Eu queria realmente combater contra Big Nog, porque ele parecia o tipo de lutador que eu iria gostar de enfrentar no Octógono. Ele é apenas um lutador da velha guarda que gostava do campo de batalha, o mesmo tipo de mentalidade de guerreiro possuída por Randy Couture. Mas apesar de eu querer testar as minhas habilidades contra Big Nog, eu queria arrebentar com Frank Mir ainda mais. Eu precisava de me redimir contra Frank. Aquela derrota para ele era dolorosa para mim.

Quando Big Nog e Frank enfrentaram, eu estava bem na primeira fila, e eu estava a torcer por Frank o tempo todo.

Desde o primeiro momento do combate, eu poderia dizer que Nogueira estava doente. Ele deveria estar na cama, não no Octógono. Eu não estou a falar sobre alguém que está gripado ou algo assim, ele estava realmente doente.

O que nenhum de nós sabia na altura é que Nog tinha acabado de enfrentar uma infecção por estafilococos. Quando ele entrou no Octógono contra Frank, ele não estava a 100 por cento. Ele não estava nem mesmo a 50 por cento. Os reflexos dele não estavam lá, o tempo de reação dele era atrasado, e ele fez Frank parecer como Muhammad Ali.

Frank Mir, o homem que nasceu com uma ferradura dourada no seu rabo, mais uma vez recebeu de presente uma vitória. Ele ficou no Octógono contra alguém que era muito mais do que um homem, muito mais do que um lutador que ele jamais poderia esperar ser, e ele teve um nocaute fácil, porque o seu adversário não tinha nada que estar a combater naquela noite. Frankie Boy foi coroado o campeão temporário dos pesos-pesados ​​do UFC, e ele deveria ter-se retirado naquele momento, porque o próximo passo dele seria contra mim.

O UFC colocou a câmera em cima de mim no público para obter a minha reação. Eu apenas sorri, e disse à multidão que Frank tinha acabado de me dar um presente de Natal antecipado.

Eu não sei se Frank realmente, acreditava verdadeiramente no seu coração que ele seria capaz de me deter pela segunda vez, mas eu sabia com a certeza absoluta que eu iria vencê-lo, e obteria a minha vingança... e me tornariano campeão mundial incontestável.

O meu combate com Frank foi programada para daqui a alguns meses, mas ele teve de adiá-la devido a uma lesão no treino. Que acabou por ser outro golpe de sorte para Frank, porque ele agora tem que me enfrentar pelo título incontestável no combate de destaque do maior evento de artes marciais mistas de todos os tempos, o UFC 100.


Traduzido por: Kleber (nWo4Life)

Adaptado por: FaBiNhO

No próximo capítulo: No próximo capítulo, Brock Lesnar nos contará sobre sua redenção! Se você perder o próximo capítulo, ganhará uma passagem só de ida para Suplex City!

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2 comentário(s):

nWoMember disse...

Obrigado pela tradução,tenho lido todas as semanas

Anónimo disse...

"Um monte de fãs hardcore do UFC estavam ressentidos pelo facto de que eu estava a receber uma oportunidade de título apenas no meu terceiro combate no UFC, o meu quarto combate de MMA no geral, mas a minha atitude era muito simples.

Que se lixem eles.

Só um tolo é que recusaria a oportunidade de lutar contra Randy Couture pelo campeonato dos pesos-pesados do UFC em Las Vegas. O que é que eu deveria fazer? Dizer "não, obrigado"?

"Oh Meu Deus, Sr.White, eu não sou digno"?

“Eu preciso de mais alguns combates antes de eu ganhar a aceitação do público para me tornar no pretendente ao título de pesos-pesados de Randy Couture!"?

Eu aproveitei a oportunidade que me foi apresentada, e eu aproveitei-a ao máximo. Isso é o que um lutador faz. Isso é o que qualquer empresário faria.
VOCÊS não fariam isso pela VOSSA família?

Tantos atletas que vão para um grande combate estragariam a cabeça ouvindo os críticos e aqueles que se dizem especialistas. Todo o mundo estava a dizer que eu não pertencia naquele combate. Que eu não o mereci. Randy tem muita experiência, eu continuava a ouvir. Eu, entretanto, não tinha habilidades. Mas eu nunca comprei a expetativa, a publicidade ou o marketing. Ignoreitudo. Quando entram no Octógono, a campanha publicitária não significa nada. Reputações não significam nada. Nada mais importa, a não ser o que acontece quando eles fecham a porta da jaula".

Fatos sobre a vida. Que se lixem eles mesmo. Lesnar tem razão.