terça-feira, 12 de abril de 2016

Brock Lesnar: Death Clutch - Parte III (Cap. 29) | Literatura Wrestling

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Com o objetivo de divulgar histórias contadas pelos próprios lutadores em livros adaptados e traduzidos pelos colaboradores deste blog, a Literatura Wrestling trás, nestes próximos meses, toda a vida de uma das estrelas mais conhecidas no mundo do wrestling atualmente num só livro.

Semanalmente será publicado uma parte do livro "Brock Lesnar: Death Clutch", escrito e publicado em 2011 pelo próprio Brock e por seu amigo de longa data, Paul Heyman, começando pelo prefácio e acabando nos agradecimentos (parte final do livro). Esperemos que gostem das histórias!


Parte III: A Espada na Minha Garganta
“ATRAIR A ATENÇÃO DE DANA WHITE"

Na WWE, vocês precisam de chamar a atenção de Vince McMahon, mas no UFC, esse homem é Dana White.

Eu não sou idiota. Derrotar Min Soo Kim não me ia levar para o UFC. Aquela organização estava a ficar mais e mais quente, e as artes marciais mistas estavam finalmente a ser levadas a sério pelos meios de comunicação de desportos tradicionais como um desporto real. A última coisa que precisavam era de dar aos seus críticos, munição ao assinar com o grande e mau ex-campeão da WWE que tinha tido apenas uma luta real, e contra um adversário de nível inferior.

Kurt Angle e um monte de outros pro wrestlers estavam a falar sobre o assunto, mas ninguém estava a apoiar. Eu queria ser o lutador de artes marciais mistas número um do mundo. Eu queria ser o campeão. Eu queria ser o evento principal dos maiores pay-per-views, ser o maior peso-pesado que o desporto alguma vez tinha visto. Mas porque é que Dana White daria a mínima para mim? Eu era apenas mais um homem a criar um monte de barulho.

Eu tinha David Olsen e Brian Stegeman a tentar marcar uma reunião com o UFC, mas eu não tenho paciência para jogos e todos que tentam posicionar-se numa negociação comercial. Eu gosto de ter as coisas feitas.

Eu passei uma boa parte da última década a tentar evitar os media, mas este foi o momento em que estar aberto à imprensa seria a minha vantagem. O UFC tinha um grande combate a chegar, com o "Capitão América" Randy Couture a defender o seu título contra Gabriel Gonzaga. O que aconteceria se eu só aparecesse? Qual seria a reação do UFC se soubessem que eu estivessem a chegar?

Eu gastei alguns milhares de dólares para obter os melhores bilhetes para mim e para os meus advogados, e eu mostrei-osà imprensa para dizer que eu iria estar presente para assistir ao combate. Eu também fiz alguns programas de rádio onde deixei escapar que eu estaria em Vegas para assistir Couture lutar contra Gonzaga.

Quando eu apareci para o combate foi engraçado, porque havia um monte de celebridades na multidão naquela noite, e num momento ou outro cada um deles aparecia na tela grande. Atores. Os jogadores de basquete. Jogadores de futebol. Cantores. Outros lutadores. Mas eu não. Nem mesmo uma vez.

Os meus advogados apostaram que o UFC não iria colocar uma câmera em qualquer lugar perto de mim, porque eu não estava sob contrato com eles, tinha acabado de lutar por uma organização rival, e o mais importante, eu era aquele homem da WWE. Nós sabíamos que o UFC não queria ter nada a ver com o entretenimento desportivo, porque os fãs aceitaram o UFC como o negócio real e não havia nenhuma razão para brincar com essa percepção.

Eu não estou a dizer que o UFC fez algo para não me sentir bem-vindo. Tenho a certeza que eles estavam contentes em tirar o meu dinheiro para os bilhetes. Mas eles também não fizeram nada para me fazer sentir bem-vindo. Quando o evento chegou ao fim, as luzes foram apagando, as câmeras estavam a ir para baixo, os fãs estavam a sair da arena, e eu tive que tomar uma decisão rápida.

Foi quando eu disse aos meus advogados, "Garotos, eu vou saltar a grade, e é melhor ninguém tentar parar-me." Advogados sendo advogados, eles só começaram a ficar atentos para quaisquer questões legais que possam surgir por causa do que eu ia fazer. Lá no fundo, eles adoraram o fato de que o seu cliente tinha tantos tomates.

Eu saltei para o andar principal,abri omeu caminho através da multidão, e passei diretamente ao lado da segurança. Quando cheguei perto do Octógono,eu vi-me logo diretamente atrás de Dana White, então eu bati-lhe no ombro e apresentei-me.

Nós encontramos uma sala vazia na parte de trás da arena, e Dana sentou-se comigo e com os meus advogados. Vou-lhe dar crédito; Dana é alguém sincero. Isso é uma coisa boa para um promotor no negócio de combates reais. Ele veio logo com a pergunta. "O que te faz pensar que podes fazer isto, Brock? O que te faz pensar que podes estar no UFC com os melhores lutadores do mundo?"

Eu disse a Dana, “Não olhes para mim como um entertainer a pensar que é um verdadeiro atleta. EU SOU UM ATLETA DE VERDADE, um campeão dos pesos pesados da Divisão I da NCAA. O Pro wrestling apenas ofereceu-me uma oportunidade de sair das dívidas e fazer um monte de dinheiro logo após a faculdade.”

Eu tinha apenas alguns minutos para apresentar o meu caso, porque Dana tinha que ir até a conferência de imprensa pós-combate. Eu estava tão na frente com ele como ele estava comigo. Eu disse a Dana que não tenho o tempo para trabalhar o meu caminho em pequenas organizações, a lutar contra latas de tomate. Ou eu posso ser um lutador campeão, ou eu não posso. Eu pedi a Dana apenas para me dar uma oportunidade, sendo que a melhor parte disso é que o UFC não podia perder neste negócio.

Se eu ganhar, o UFC teria o ganso de ouro. Se eu perder, alguém vai-se tornar uma estrela às minhas custas. De qualquer forma, o meu combate irá atrair dinheiro. Fãs de MMA vão pagar para ver alguém a dar cabo de mim. Fãs da WWE vão pagar para ver um dos seus a enfrentar o melhor que o UFC tem para oferecer. Não havia nenhuma desvantagem nesta ideia.

Dana sabia que era uma proposta a ganhar de qualquer forma, mas ele também sabia que tinha que me atirar aos lobos. Se Dana ia dar um tiro num homem da WWE, sem arruinar a sua própria credibilidade, não poderia parecer um trabalho ou algo barato. Tinha que ser contra um adversário real. Não existem combates fáceis no UFC, e Dana não me ia oferecer um combate apenas para me solidificar. Eu não estava à procura de algum favor ou algo do tipo. Eu queria começar no topo.

Dana teve que ir para a conferência de imprensa, mas eu queria uma resposta. Eu consegui o que estava à procura. O UFC ia-me dar uma oportunidade.

Na altura, a promoção estava à procura de fazer algo com o seu ex-campeão dos pesos-pesados, Frank Mir, e eu era a resposta perfeita para os problemas de todos. Mir tinha sofrido um acidente de mota que descarrilou a sua carreira, e ele estava no processo de fazer o seu regresso. Ele é um homem grande, perigoso em pé e no chão. Ninguém poderia chamar um combate contra Frank Mir de algo combinado.

Foi um cenário perfeito para Dana e o UFC. Ou eu estava para ir derrotar um ex-campeão dos pesos-pesados e lançara minha própria carreira até ao topo, ou Frank iria dar cabo de mim e mostrar ao mundo que os atletas da WWE não têm nada que entrar num Octógono.

Quando cheguei em casa, assisti a algumas gravações de combates passados de Frank. Ele tinha boas habilidades técnicas, e ele era muito capacitado, mas eu vi alguém que não estava no meu nível.

Se estava ou não realmente não importava para mim. Eu estava a receber uma oportunidade no UFC, e eu planeei tirar toda a vontade que Mir tinha e usá-la contra ele. Eu estava a ir para marcar um impacto. E eu ia fazer um monte de dinheiro ao fazer isso.

O combate foi marcado para o UFC 81, no dia 2 de fevereiro de 2008, no Centro de Eventos de Mandalay Bay em Las Vegas, no fim-de-semana do Super Bowl.

O UFC promoveu o combate com tudo o que tinham. Não podiam andar na rua sem ver a minha cara num ecrã ou num cartaz. Eu estava em tudo que era TV, rádio e Internet. Se não sabiam que eu estava para combater naquele fim-de-semana, simplesmente não estavam a prestar atenção.

Foi uma jogada inteligente da parte deles. Um bom investimento. O UFC fez dinheiro em cima de mim naquele dia, e eu acho que é uma aposta segura dizer que eles têm continuado a fazer o dinheiro em cima de mim desde então.

Mas todos sabem o que aconteceu.

Há um ditado sobre como mais cedo ou mais tarde, toda a gente perde no UFC. Eu perdi mais cedo.

Eu levei Frank ao chão imediatamente e estava a bater nele. A multidão estava a ficar maluca. O barulho era ensurdecedor, e eu não podia ouvir o árbitro quando ele me puxou para longe de Frank. Por um minuto, eu pensei que o combate tinha sido interrompido e que eu tinha vencido. Mas a minha mão não estava a ser levantada; em vez disso, eu estava a ser levado para o meu canto, e a Frank estava a ser-lhe dado um momento para sacudir as teias de aranha no seu cérebro embaralhado.



O árbitro Steve Mazzagatti disse que eu tinha ilegalmente acertado Frank na parte de trás da cabeça quando ele estava caído. Essa foi a razão de Mazzagatti para nós estarmos em pé. Foi dado algum tempo a Frank para recuperar, mas eu imediatamente levei-o ao chão novamente e voltei a dar cabo dele.

Eu tinha o combate ganho, mas depois eu cometi um erro estúpido de novato. Eu estava com muita pressa para terminar o combate, e eu fiquei entre as pernas de Frank quando ele estava no chão. Eu estava a tentar obter uma posição melhor onde eu poderia simplesmente acertá-lo no rosto e acabar com ele, mas eu caí na mesma armadilha que eu tinha treinado para não cair. Nós devemos ter praticado esse cenário cerca de mil vezes no treino. Eu deixei-me em aberto, e o garoto Frankie rolou-me direto para uma chave de perna. Eu não tive escolha. Ou desistia ou deixava-o partir a minha perna. Desisti, e eu não tenho ninguém para culpar além de mim mesmo.

Eu sei que entreguei a vitória para Frank. Eu dei a ele. Ele não merecia ganhar. Ele não é um lutador melhor do que eu. No seu melhor dia, ele não é metade do atleta que eu quando estou no meu pior. Dei-lhe a minha perna numa bandeja de prata, apenas entreguei-lhe aquela submissão. Essa foi a minha derrota, não a vitória de Frank. Estraguei tudo.

Eu era um homem de muita sorte naquela noite, porque eu impressionei tantas pessoas, especialmente Dana White, que eu consegui manter o meu trabalho no UFC. Eu acho que sou o único na história da empresa que entrou sem nenhuma experiência, foi derrotado em noventa segundos, e foi declarado um grande prospecto quando tudo estava acabado.

Ainda assim, aquela derrota para Frank Mir atingiu-me muito bem.

Eu vim da pobre Dakota do Sul, e trabalhei o meu caminho para me tornar um campeão da NCAA, e então campeão indiscutível da WWE. Eu poderia ter jogado futebol profissional se eu quisesse passar um ano na Europa para aprender o jogo. Quando estou com quase trinta anos, eu fui para o jogo de artes marciais mistas, obtive uma oportunidade no UFC, dei cabo de Frank por um minuto e meio, apenas para lhe entregar uma vitória?

Só de pensar nisso agora deixa-me chateado mais uma vez. Eu sabia absolutamente no meu coração, na minha mente e na minha alma que eu sou um lutador melhor do que Frank Mir. Perder para Frank foi um dos piores momentos da minha vida, porque eu perdi para alguém que simplesmente não merecia derrotar-me, e muito menos ainda estar no meu Octógono.

Eu queria uma desforra!

Eu sabia que teria de trabalhar o meu caminho através de algumas pessoas para voltar a Frank, mas eu não me importo com quem eles colocariam na minha frente. Eu queria Frank Mir novamente, e eu queria ele da pior maneira. Cada pensamento que eu tinha sobre Frank era consumido com más intenções.


Traduzido por: Kleber (nWo4Life)

Adaptado por: FaBiNhO

No próximo capítulo: No próximo capítulo, Brock Lesnar nos contará sobre sua primeira vitória no UFC! Se você perder o próximo capítulo, ganhará uma passagem só de ida para Suplex City!

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