terça-feira, 5 de abril de 2016

Brock Lesnar: Death Clutch - Parte III (Cap. 28) | Literatura Wrestling

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Com o objetivo de divulgar histórias contadas pelos próprios lutadores em livros adaptados e traduzidos pelos colaboradores deste blog, a Literatura Wrestling trás, nestes próximos meses, toda a vida de uma das estrelas mais conhecidas no mundo do wrestling atualmente num só livro.

Semanalmente será publicado uma parte do livro "Brock Lesnar: Death Clutch", escrito e publicado em 2011 pelo próprio Brock e por seu amigo de longa data, Paul Heyman, começando pelo prefácio e acabando nos agradecimentos (parte final do livro). Esperemos que gostem das histórias!


Parte III: A Espada na Minha Garganta
“COMEÇAR NAS ARTES MARCIAIS MISTAS"

Quando decidi tornar-me num lutador, havia certas coisas que eu tinha de aceitar desde o primeiro dia. Eu sou um atleta e um lutador, mas isso não significa automaticamente que me tornaria num grande artista marcial misto. Para chegar ao topo do desporto, eu ia precisar de muita instrução.

Eu perguntei por aí sobre diferentes centros de treino, e decidi dar uma oportunidade à academia de Pat Miletich em Bettendorf, Iowa. Pat foi um dos pioneiros das artes marciais mistas, e ele é muito respeitado dentro da comunidade MMA. Ele é o ex-campeão do UFC, e o seu ginásio tem produzido atletas como Matt Hughes, Tim Sylvia, Jens Pulver e Robbie Lawler. Eu imediatamente gostei de Pat porque ele era originalmente um wrestler amador, então ele sabia o que seria necessário para transformar outro wrestler num lutador.

Eu treinei com Pat e a sua equipa durante algum tempo, e nesse tempo que eu estive com eles, eu realmente aprendi muito. Nada contra Pat, porque eu respeito o trabalho dele e aprecio tudo o que aprendi com ele, mas logo percebi que o ginásio dele não era para mim.

Eu percebi que tinha dinheiro de novo, e poderia dar-me ao luxo de criar o meu próprio campo, um que fosse dedicado a uma e apenas uma finalidade, que era fazer de mim o melhor lutador que poderia ser no mais curto período de tempo. Eu não gastar passar anos e anos a passar pelo equivalente do meu tempo em Louisville no MMA. Eu queria lutar para ganhar a vida, e o meu pensamento era que, se tens uma academia pensada para acomodar um grupo de lutadores, então ninguém recebe o benefício integral da comissão técnica. É fazer muita coisa ao mesmo tempo. Onde está o foco?

Mas se têm o vosso próprio centro de treinos, e todos estão dedicados ao objetivo de tornar-teno melhor, terás uma melhor oportunidade de alcançar todo o potencial. Há um monte de dinheiro no final do arco-íris, e eu queria alcançar o pote de ouro.

A partir do momento em que eu decidi entrar nas artes marciais mistas, eu sabia que queria estar no UFC. Essa é a grande liga... o único lugar para se estar. O UFC é a organização mais profissional, e as pessoas lá têm os recursos para investir em grandes combates por muito dinheiro. Nada de porcarias baratas para esta organização. Tudo é de primeira classe todo o tempo.

A melhor coisa sobre os negócios de combates é que as pessoas pagam para ver uma luta, e na maioria das vezes, tu vais ver alguém a ganhar e alguém a perder. É uma fórmula simples. Se queres ser o melhor, tens de entrar no combate e ir para com tudo ou nada.Ninguém vai ser campeão por muito tempo a tentar ganhar por pontos.

Ultimamente, só há duas posições em que um lutador pode estar. Ou tu és o número um, ou então não és. Para mim, o número um é o único lugar para se estar, porque o número nunca é bom o suficiente. É o mesmo que ser o último.

Eu tinha os meus objetivos estabelecidos, mas também tinha um problema. O UFC viu-me como um lutador "falso" da WWE. Sim, eu tinha um nome, mas eu não tinha nenhuma experiência em MMA para falar, o que significava que tinha de começar noutro lugar. Acreditem ou não, essa estrada levou-me de volta para fazer negócios com uma empresa no Japão.

Eu estava a receber ofertas para combater assim que a palavra de que eu tinha estado a treinar no campo Militech se espalhou. Não importava se eles promoviam combates em arenas, nas praias ou em ginásios escolares, todos queriam promover o meu primeiro combate de artes marciais mistas.

Em Abril de 2006, David Olsen e um novo membro da minha equipa legal, Brian Stegeman, marcaram uma reunião para mim com a promoção japonesa K-1. Esta promoção é propriedade de uma empresa chamada FEG, e eles enviaram o seu gerente de operações internacionais, Daisuke Teraguchi, e o seu advogado nipo-americano, Toru Nakahara, à Minnesota para fazer um acordo comigo.

Nós encontramo-nos no Minneapolis Grand Hotel para um jantar de sushi.

A comida era ótima, mas a reunião estava lenta demais para o meu gosto. Ao contrário dos Inokis, que apenas sentavam lá e olhavam para vocês, à espera que vocês revelassem a vossa mão, estes homens só queriam falar e falar e falar. Eu pensava que nunca iria chegar ao ponto, então contra o conselho dos meus advogados, falei e fui direto ao assunto. Bem no meio dos rolinhos Califórnia, eu disse a eles o quanto eu precisava para uma luta ou não havia mais nada para falar.

Para crédito deles, Daisuke e Toru nem sequer piscaram. Eles calmamente perguntaram se eles poderiam ter alguns minutos para discutir a minha exigência em privado. Sentindo a minha agitação, eu generosamente disse que eles poderiam ter quinze minutos, e que depois queria uma resposta.

Fui lá para fora com David e Brian, e nós apenas olhavamos uns para os outros. Era para eu deixá-los falar e negociar, mas eu senti como se a reunião não estivesse a ir a algum lugar com todos apenas a sorrir um para o outro e a contar histórias. Os meus advogados estavam surpreendidos, porque ao conduzir a reunião do jeito que tinha feito, eles achavam que eu poderia ter matado a minha carreira no MMA antes de começar, e eu não estava prestes a discordar. Nós começamos a rir, porque dependendo do que acontecesse nos próximos quinze minutos, eu iria falhar em Negociação 101, ou obter um A+ e tornar-me num graduado. E o suspense não ia durar muito tempo.

David apostou comigo que os executivos da FEG estariam sentados num táxi a caminho do aeroporto no momento em que voltássemos. Quando voltamos para o restaurante, no entanto, eles ainda estavam sentados à mesa. Eles disseram-nos que provavelmente poderiam fazer o negócio funcionar, mas que seria necessário confirmar os detalhes com algumas pessoas no Japão antes que pudessem comprometer-se. O facto de que eles já não estivessem no meio do caminho de volta para Tokyo parecia um sinal muito bom.

Enquanto os meus advogados estavam a trabalhar nos detalhes com a K-1, eu estava a trabalhar em tornar-me num lutador. Parte do acordo era que eu poderia escolher os meus próprios treinadores e a FEG iria pagar a conta. Eles queriam-me pronto para combater até agosto de 2006. Houve muitos rumores por aí de que eles estavam a tentar que o meu primeiro adversário fosse Royce Gracie, a primeira estrela do UFC e o herdeiro do trono jiu-jitsu brasileiro.

Eu estava a viver fora de Minneapolis, e estava à procura de um lugar para treinar localmente. Eu não queria ir para a California ou Nevada ou qualquer outro lugar para treinar. No que me dizia respeito, os meus dias de viagem acabaram.

Todos com quem conversei na cena local do MMA pareciam ter uma opinião elevada sobre Greg Nelson, que dirigia a Minnesota Martial Arts Academy, então um dia parei no ginásio dele. Greg era um ex-wrestler da UM como eu, tinha treinado o Campeão do Mundo de UFC Sean Sherk e outros, e ele concordou em aceitar-me e preparar-me para o meu combate de K-1.

Agora que era um lutador profissional, e estava prestes a fazer um monte de dinheiro, os meus advogados disseram-me que estavam a criar uma nova empresa para conduzir o meu negócio como um lutador, e que eu tinha de escolher o nome. David, Brian e eu estávamos numa conversa a três ao telefone, e nós estávamos apenas a lançar nomes à toa.

O "Death Collector" tinha sido sugerido por um homem que queria fazer t-shirts para nós, mas aquilo era muito WWE para mim. E então eu disse, e que tal "DeathClutch"? Esse nome realmente funcionava comigo, porque após o processo com Vince e todas as outras porcarias que eu tinha passado, eu sentia como se tivesse estado num DeathClutch após o outro. Eu podia ouvir a narração do combate na minha cabeça: "Lesnar põe as suas mãos em redor do corpo do oponente... é o DeathClutch!"

Eu mal podia esperar para começar, mas assim que estava a acelerar o meu treino, a K-1 disse-me que eles ainda não tinham garantido um adversário para o que eu pensei que seria a minha luta em Outubro de 2006. Oh, esperem. Isto fica pior. Eles não tinham uma arena, ou mesmo um espaço de pay-per-view ainda. O meu objetivo era estar numa organização de liga principal, mas eu sabia que naquele momento eu ainda estava nas menores.

A K-1 ofereceu-me muito dinheiro para uma extensão de contrato. Se eu lhes dissesse que não, eu teria que aceitar um combate por outra organização ainda menor, antes que o UFC me considerasse seriamente.

Como eu já estava no negócio com a K-1, eu concordei com a extensão, e continuei a treinar com Greg Nelson.

No Outono de 2006, ouvi dizer que a K-1 tinha assinado com "O Techno Golias", um kickboxer coreano e lutador de MMA com mais de dois metros, chamado Hong-Man Choi, e queriam colocar-nos um contra o outro em Maio de 2007, no Dodger Stadium, em LA.

Nunca ouvi falar de Hong-Man Choi, então pesquisamos sobre ele. Ele era conhecido por ser este grande filho da mãe entretido, um gigante gentil e amigável que podia espancar as pessoas nas lutas. Mas a única coisa que eu não conseguia perceber era o tamanho da sua cabeça. Quer dizer, a cabeça dele era enorme, ainda maior do que a do Big Show. Era enorme. Fiquei a pensar que, assim que o árbitro dissesse "lutem", eu ia direto para esse enorme alvo bem entre os ombros. Hong-Man Choi tinha uma reputação internacional, mas ele era grande e lento, e eu sabia que podia devorá-lo.

Foi nessa época que eu falei com o meu velho treinador de wrestling da UM, Marty Morgan. Como eu estava programado para lutar contra um gigante, eu queria treinar com alguns homens grandes. Marty estava a treinar Cole Konrad na Universidade de Minnesota, e eu comecei a bater no saco de pancadas com Marty, enquanto rolava com Cole e com os outros pesos pesados do plantel.

Eu senti-me vivo outra vez. Depois de tudo o que eu tinha passado, não importava quem eles colocassem na minha frente naquela primeira luta. Eu tinha um novo sopro de vida, e eu não ia falhar.

Cerca de um mês antes do meu combate marcado, a K-1 diz-nos que teríamos outro atraso. Eles não conseguiram o Dodger Stadium, agora a luta ia ser movida para Junho de 2007, no L.A. Colosseum. Vocês sabem a rotina. A K-1 disse que estavam a planear fazer dessa a maior luta de MMA de sempre, e que eles queriam colocar cem mil pessoas nos bancos. Eles esperavam que toda a Korea Town em LA aparecesse pela Grande Cabeça, e todos os fãs da WWE aparecessem por causa de mim.

Eu não queria ouvir o hype. Eu queria começar com a minha nova carreira, e enquanto eu estava a fazer massa de pão doce por causa do meu contrato com a K-1, eu sabia que ia passar os meus melhores anos de luta a lidar com atrasos e porcarias. Eu simplesmente quero treinar, lutar e ganhar dinheiro. Eu não quero ter que me preocupar com todo o material que a promoção é suposto cuidar. Esse é o trabalho deles.

Eu sei que vou viver até ao meu fim. Vocês vivam os vossos.

Infelizmente, eu nunca tive a oportunidade de nocautear a Grande Cabeça, porque alguém chegou antes de mim. Cerca de um mês antes do nosso combate, o idiota teve uma luta de kickboxing K-1 no Japão, levou um grande golpe na sua grande cabeça, e caiu como uma árvore abatida. Programá-lo para um evento tão perto do nosso combate era simplesmente estúpido da parte da K-1.

Quando Hong-Man Choi fez os exames médicos bem antes do nosso combate, a Comissão Atlética do Estado da Califórnia declarou-o inapto para competir.

A K-1 ofereceu-me Min Soo Kim como um substituto de última hora. Ele era um lutador Sul-Coreano que tinha ganho uma Medalha de Prata Olímpica no judo. Eu não me importava quem ele era, ou o que ele tinha ganho, eu sabia que estava a ir para o aniquilar.



Eu tenho que dar crédito à K-1, eles provavelmente colocaram cinquenta mil ou mais pessoas no Coliseum numa bela noite de Junho para assistir-me a derrotar Min Soo Kim. Eles também fizeram o seu melhor para criar um espetáculo, incluindo a minha grande entrada da chama Olímpica no topo do estádio.

O meu trabalho, para mim, foi fácil. Esperar até que o árbitro dissesse "lutem", e partir para cima de Min Soo Kim. Pobre coitado não tinha ideia no que se tinha metido. Eu levei-o diretamente para o chão e bati nele. O combate durou sessenta e nove segundos, e eu fui embora sem sofrer um arranhão. Melhor ainda, como o combate foi adiado várias vezes, cada extensão do meu contrato com a K-1 custava mais dinheiro. Ao todo, eu embolsei um monte de dinheiro no que acabou por ser o valor de um minuto de trabalho no ringue.

Este é o negócio para mim!


Traduzido por: Kleber (nWo4Life)

Adaptado por: FaBiNhO

No próximo capítulo: A terceira parte do capítulo 27 do livro de Lesnar, onde ele fala sobre a última confrontação judicial com a WWE! Se você perder o próximo capítulo, ganhará uma passagem só de ida para Suplex City!

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