terça-feira, 22 de março de 2016

Brock Lesnar: Death Clutch - Parte III (Cap. 27 - Parte 2) | Literatura Wrestling

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Com o objetivo de divulgar histórias contadas pelos próprios lutadores em livros adaptados e traduzidos pelos colaboradores deste blog, a Literatura Wrestling trás, nestes próximos meses, toda a vida de uma das estrelas mais conhecidas no mundo do wrestling atualmente num só livro.

Semanalmente será publicado uma parte do livro "Brock Lesnar: Death Clutch", escrito e publicado em 2011 pelo próprio Brock e por seu amigo de longa data, Paul Heyman, começando pelo prefácio e acabando nos agradecimentos (parte final do livro). Esperemos que gostem das histórias!


Parte III: A Espada na Minha Garganta
“NEW JAPAN PRO WRESTLING (Parte 2)”

Akebono foi uma grande estrela nacional no Japão. Apesar dele ser originalmente do Havaí e não do Japão, ele era respeitado como um ícone legítimo do desporto, um herói popular, porque ele era um campeão dominante de sumo japonês. Fiquei feliz quando os Inokis disseram-me que queriam-me num combate contra ele, porque eu sabia que poderia construir-me como o grande campeão americano heel contra a ainda maior lenda do sumo japonês. Vi sinais grandes de dólares naquela colisão.

Akebono é outro homem gigante que tem um grande coração. Eu acredito que poderíamos ter feito muito dinheiro um contra o outro se os Inokis tivessem jogado as suas cartas da melhor forma. Eu chamava Akebono de "Big Chad" e ele foi um dos poucos no mundo do wrestling que eu considerava ser um amigo. Eu queria fazer a nossa colisão significar algo para que pudéssemos desfrutar de um programa longo e fazer um monte de dinheiro um com o outro.

Mas os Inokis não tinham uma visão a longo prazo para Brock Lesnar vs. Akebono. Eles queriam que eu o derrotasse, logo na televisão. Eu não queria acreditar. Porque é que eles querem matar o que poderia ser uma grande rivalidade com um combate na televisão de graça?

Agora entendo uma das razões pelo qual Steve Austin tinha ficado tão irritado naquele dia em Atlanta quando a WWE queria apressar o nosso primeiro combate no Monday Night Raw.

Como eu sou um maldito teimoso, eu exigi que nós fizéssemos o que é chamado de "final de porcaria", para que pudéssemos voltar com uma desforra na estrada. Eu tinha esta ideia de eu e Big Chad a fazer todos aqueles spots de homens grandes, e no momento certo eu atingiria-lhe na cabeça com o título do IWGP. Os Inokis continuavam a querer-me apenas a derrotar Big Chad, mas eu insisti até que eles concordaram em fazer o final à minha maneira.

Então, Big Chad e eu fomos para o ringue, e estamos a fazer todos os spots de típicos homens grandes e poderosos um contra o outro. Nós fazemos tentativas de Shoulder Tackle onde ninguém se movia, o spot em que corro contra as cordas e colidia com Big Chad, ou ele vem contra mim e ambos acabávamos a encarar um ao outro.

Quando chegou a hora do final, eu acertei na sua cabeça de melão grande com o título, tal como tinha planeado. Big Chad caiu na lona, eu fiz o pinfall, e toda a arena ficou quieta. Silêncio mortal. Nem um único som do público. O público não estava a comprar aquilo. Eles não pagaram para ver um "final de porcaria", e eles são muito inteligentes para comprar uma vitória barata de bosta de cavalo de heel assim. Que erro mais idiota eu tinha acabado de cometer!

O árbitro agachou-se e começou a contar, e eu estou a dizer para Big Chad, "Fazo kick out, filho da mãe, kick out." Um... dois... e no instante antes de o árbitro bater no chão para a contagem de três, Big Chad levantou o braço para o ar, e as pessoas enlouqueceram.

Nós acabamos por fazer um final ridículo que não serviu de nada exceto para irritar os Inokis, mas pelo menos Big Chad importava-se o suficiente para dar-lhes o melhor combate que podíamos, e acho que, considerando tudo, foi um grande combate.

O fato de que Big Chad e eu poderíamos montar um combate sólido não me surpreendeu. Ele é um atleta treinado com muito orgulho, e eu também. O que me surpreendeu foi que os Inokis não tentaram-me convencer a perder o título antes de eu sair do Japão. Eles provavelmente sabiam melhor do que me fazer sentir como eu estava a ser encurralado num canto, porque eu já estava irritado devido ao facto deles começaram a jogar jogos com o meu dinheiro.

Eu achava que estava a ser inteligente quando eu fui para o Japão, porque eu insistia no transporte privado, acomodações em hotéis de primeira classe com todas as despesas pagas, entre mais coisas. Se eu tiver que viajar meio mundo para trabalhar, pelo menos eu vou estar confortável enquanto eu estiver lá.

Parte do meu contrato com a New Japan também incluía pagamentos adiantados. Os meus advogados configuraram uma conta de depósito nos Estados Unidos, e o nosso acordo era que eu não embarcaria num avião até que os Inokis depositassem o meu dinheiro nessa conta. Então, quando o combate acabasse, o dinheiro é libertado diretamente para mim para que eu nunca mais tivesse que me preocupar em ir para o Japão e não recebesse o pagamento. O sistema funcionou... durante um tempo.

Numa das minhas últimas viagens para o Japão, eu não consegui todo o meu dinheiro depositado, mas eu entrei no avião de qualquer maneira. Imaginei que os Inokis precisavam de mim porque eu era o campeão deles, e eu não iria pisar no ringue deles até que eu tivesse a certezade que todo o meu dinheiro tinha sido depositado na conta nos Estados Unidos. O que poderia correr mal?

Muita coisa. Mas eu deveria ter sabido disso. Outra lição na vida. E, creio eu, uma história interessante para este livro.

Quando o meu combate terminou, os Inokis colocaram-me num autocarro com todos os outros homens, rumo ao aeroporto. Mas que diabos? Estava no meu contrato que era suposto que tivesse um carro e motorista a partir do momento em que aterrasse no Japão até ao momento em que eu fosse deixado no aeroporto para ir para casa. Aquela viagem de autocarro é simplesmente bruta, e eu não queria fazer parte dela. Os Inokis sabiam que eu não estava à espera de acabar por andar num autocarro, e eu ficava a imaginar porque é que eles iriam dar ao IWGP World Heavyweight Champion tal despedida de segunda mão.

Que jogo eles estavam a tentar jogar comigo?

Eu tinha sido educado em todos os tipos de armadilhas que os Inokis poderiam tentar fazer comigo. Brad tinha-me avisado sobre um truque de negociação famosa que os Inokis gostavam de usar. Eles levavam-vos para um almoço ou jantar, e em seguida, ficavam a olhar para vocês, a tentar fazer com que vocês se sintam desconfortáveis. Eles queriam que apenas vocês ficassem a falar para que revelassem as vossas cartas e expor a sua própria estratégia de negócios. As três primeiras vezes que eu me encontrei com os Inokis, foi exatamente desta forma como eles tentaram jogar comigo.

Graças a Brad, eu conhecia essa tática, por isso não funcionou comigo. Eu olhei de volta para os Inokis, e falei sobre qualquer coisa que surgiu na minha cabeça. Eu ficava a dizer coisas como: "Que tal este tempo?"; "Esta comida é realmente excelente"; "Que belo país que vocês têm." Eu falava sobre toda e qualquer coisa... exceto negócios. Eu sabia o jogo deles, e eu estava pronto para isso. Isso provavelmente os deixou loucos.

Outro jogo para o qual eu estava pronto era o Inoki Slap. Eu acho que parte da iniciação no Japão é que todos os recém-chegados acabam sendo por levar uma estalada de Antonio Inoki, que é uma lenda viva por lá. Eu deixei bem claro para eles o que eu achava disso. Ninguém ia-me bater. Nem o Inoki. Nem qualquer outro. Eles entenderam.

Mas quando eles me atiraram para o autocarro com todos os outros, eu olhei para Brad, que tinha visto de tudo no Japão. Mesmo que ele não soubesse o que estava para vir, sabíamos que tínhamos de estar preparados para qualquer coisa.



Quando chegámos ao aeroporto, Simon Inoki veio até mim e disse neste tom de voz suave, respeitoso, "Sr. Lesnar, deve deixar o título comigo, porque queremos poli-lo para si e trocar as pedras para que o título pareça muito bom quando você regressar ao Japão!"

Os Inokis deveriam saber que havia uma oportunidade de eu não regressar, o que significava que havia uma possibilidade que eles iriam-me pedir para entregar o título. Eu estava um passo à frente deles, no entanto, porque eu deixei o título bem enterrado na parte inferior da minha mala... e vocês devem estar a imaginar como eu estava agarrado àquela mala. Eu estava a segurar como se valesse a minha vida, porque eles ainda não me tinham pago, e eu queria manter o título deles como uma apólice de seguro. Contando que eu tivesse a posse do título do IWGP Heavyweight Championship, eu sabia que iria encontrar uma maneira de ter o dinheiro que me deviam.

Tão educado quanto Simon foi comigo, fui ainda mais educado com ele. Agradeci-lhe a oferta para cuidar do título por mim, mas disse a ele que eu estava a pensar em polir eu mesmo em casa, e que eu iria deixar as pedras perfeitas para os fãs da New Japan.

Sempre a tentar ficar um passo à frente de todos, os Inokis devem ter antecipado a minha resposta, porque Simon tinha alguns lutadores da New Japan com ele. Parecia a mim e Brad como se eles iriam tentar tirar-me o título à força. Eles tinham a vantagem porque eu era um estrangeiro no território deles e não falava a língua deles, e se a segurança surgisse, eles podiam dizer qualquer coisa que eles quisessem. Mas, quando esses homens tentaram-nos intimidar, Brad e eu olhámos de volta para eles enquanto andámos dez passos para o balcão de bilhetes, onde eu simplesmente deixei que soubessem sem termos errados: "Eu vou levar o título comigo!"

Não havia nada que eles pudessem fazer naquele momento, a não ser que eles quisessem criar um incidente grave no aeroporto internacional, de modo a que Brad e eu fizessemos o check-in e entrassemos no avião com o título ainda na minha posse. Eu tinha ouvido falar que a New Japan estava a falar com a TNA sobre uma promoção em conjunto, e foi fácil deduzir que eles queriam que eu voltasse e perdesse o título. Isso deu-me muita vantagem de negociação. Eu tinha algo que eles queriam, e eles tinham o dinheiro para me pagar, então eu usei isso a meu favor.

Não demorou muito para que Simon Inoki ligasse para os meus advogados para montar um grande combate pelo título no Japão. Eu disse aos meus advogados, "Aqui está o meu preço, dêem-lhes o valor e digam-lhes para aceitá-lo ou para esquecerem." Eles tentaram uma contra-proposta, portanto não tivemos um acordo.

À medida que os meses iam passando, Simon continuava a ligar-me, mas ele não iria pagar o meu preço. Eventualmente, mais de um ano depois, quando eu estava a ir bem no treino para o meu primeiro combate de MMA e tinha mais ou menos colocado o wrestling no meu passado (embora o título do IWGP parecesse muito bem pendurado na minha garagem), os meus advogados receberam outra chamada de Simon. Os Inokis tinham cortado os laços com a New Japan e estavam a começar uma nova empresa chamada "IGF." Eles precisavam de um evento principal no seu primeiro evento e eles queriam que fosse Brock Lesnar vs.Kurt Angle pelo título do IWGP. Agora eles estavam dispostos a pagar o meu preço.

Eu concordei em fazê-lo, mas, já que Kurt estava a trabalhar para a TNA, eu fiz Simon confirmar que ambos, TNA e Kurt, estavam comprometidos com o combate, e que eles soubessem que não poderia ocorrer até depois do meu primeiro combate de MMA.

Eu gostei de regressar ao ringue com Kurt por uma noite e não tinha problema de perder o título para ele.

Quando eu fiz esse combate, eu tinha certeza que nunca teria de calçar botas de wrestling novamente... com apenas uma exceção. No fundo da minha mente, eu sabia que quando eu me tornei numa comodidade grande o suficiente para fazer outra coisa na vida, haveria sempre um grande premio à minha espera quando eu decidisse voltar para um grande evento, uma grande noite, um grande combate.

Mas isso era olhar para um futuro distante.


Traduzido por: Kleber (nWo4Life)

Adaptado por: FaBiNhO

No próximo capítulo: A terceira parte do capítulo 27 do livro de Lesnar, onde ele fala sobre a última confrontação judicial com a WWE! Se você perder o próximo capítulo, ganhará uma passagem só de ida para Suplex City!

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