terça-feira, 15 de março de 2016

Brock Lesnar: Death Clutch - Parte III (Cap. 27 - Parte 1) | Literatura Wrestling

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Com o objetivo de divulgar histórias contadas pelos próprios lutadores em livros adaptados e traduzidos pelos colaboradores deste blog, a Literatura Wrestling trás, nestes próximos meses, toda a vida de uma das estrelas mais conhecidas no mundo do wrestling atualmente num só livro.

Semanalmente será publicado uma parte do livro "Brock Lesnar: Death Clutch", escrito e publicado em 2011 pelo próprio Brock e por seu amigo de longa data, Paul Heyman, começando pelo prefácio e acabando nos agradecimentos (parte final do livro). Esperemos que gostem das histórias!


Parte III: A Espada na Minha Garganta
“NEW JAPAN PRO WRESTLING”

O meu primeiro combate no Japão foi uma Triple Threat Match contra Fujita e Chono no dia 8 de Outubro de 2005. Não importava realmente quem é que eles colocavam no ringue comigo: Eu sabia que as multidões japonesas estavam à procura de um monstro heel. Eles queriam alguém que podiam dizer "ooh" e "aah", e eu ia essa pessoa. Eu estava feliz de estar a trabalhar e a ganhar dinheiro de novo, mas durante todo o tempo lá, eu estava à espera que uma má notícia caísse a qualquer momento. Isso é o jogo mental que os advogados jogam connosco.

Assim que a New Japan começou a anunciar o meu primeiro combate, os advogados da WWE tentaram impedir-me de participar. Eles ameaçaram a New Japan e alegaram que iriam obter uma prescrição para impedir-me de participar no combate. Até ao momento em que entrei no avião para o Japão, eu estava era à espera que os meus advogados ligassem para o meu telemóvel e dissessem: "Vai para casa, Brock, a WWE entrou com uma ação legal, etc. etc., e já não há combate."

Sorte a minha, os advogados da WWE estavam cheios de porcaria. A WWE nunca processou a New Japan, e eles nunca conseguiram uma prescrição para impedir-me de trabalhar no meu combate agendado. Mas isso não foi o fim do aborrecimento.

Eu estava programado para combater em alguns eventos no Japão, em Dezembro, e depois voltaria a trabalhar no grande evento anual deles no dia 4 de janeiro de 2006. Eu pensei que todos os eventos iriam prosseguir sem contratempos, porque enquanto os cães legais da WWE já tinham ladrado muito, eles mostraram que não mordiam. Eles fizeram todas estas ameaças de obrigarem-me a ficar de fora do evento de Outubro, e eles continuaram a recuar todas as vezes. Eu pensei que era um caso de “O Garoto Que Gritava Lobo”.

Eu estava errado.

Logo antes de eu ir para o Japão para os eventos de Dezembro, a WWE apresentou o que é chamado de moção de Ordem de Restrição Temporária ou um "ORT” (No original, TRO - Temporary Restraining Order). Eu não estava muito bem entendido nestes termos legais naquela altura, mas eu de certeza aprendi-os graças à minha "educação a modo difícil" da World Wrestling Entertainment e da sua equipa de advogados. A WWE pediu ao juíz que estava a presidir a nossa ação judicial para emitir uma prescrição imediata contra mim que me impedia de combater nos eventos da New Japan. Se eu decidisse ignorar o ORT, eu estaria em desobediência com o tribunal.

Os meus advogados reagiram, mas o juíz estava a tomar o seu tempo para tomar uma decisão. Vocês não podem dizer a um juíz para se apressar,“porque Brock quer saber se embarca no avião para o Japão ou não", por isso durante todo o meu voo para o Japão, eu estava a querer saber se ainda estava a ir para trabalho quando eu desembarcasse. Eu ficava a pensar como eu ficaria furioso se tivesse que dar meia volta assim que aterrasse no Japão, porque o juíz decidiu contra mim e em favor da WWE.

O juíz, no entanto, nunca concedeu o OTR, e eu combati... e fui pago pelos... eventos de Dezembro. Quando voltei para os Estados Unidos, fui informado de que a WWE "retirou formalmente" a sua moção, porque sabia que era um caso perdido. Eles nunca quiseram realmente que o juíz tomasse uma decisão. Na minha opinião, o movimento da WWE, tal como a grande maioria das suas ameaças, era apenas uma forma legal de abuso intencionado, para me fazer perder o sono e gastar tanto dinheiro quanto possível com advogados. Voltei para o Japão novamente para o seu grande evento anual a 4 de janeiro de 2006, e fiz mais alguns eventos depois disso. Eu tenho a certeza de que Vince estava com o rabo em chamas porque ele não podia fazer nada para me parar.

Eu fui uma pessoa vingativa durante muitos anos. "Um olho por olho" não era apenas um ditado para mim: era um modo de vida. Com o tempo, eu aprendi o quanto este tipo de negatividade corrói-nos, mas naquela altura eu não estava pronto para aceitar a verdade. O meu golpe final na New Japan era o mesmo que usei na WWE.

Na WWE, era chamado de F-5. Na New Japan, era chamado de "O Veredicto".

Essa foi a minha forma de enviar uma mensagem a Vince e aos seus advogados do esquadrão geek.



Eu planeava dar cabo da WWE no tribunal, e queria que o mundo soubesse que eu ainda era o cão superior, cuja mordidela era tão cruel quanto o seu ladrar, se não pior. Assim que os Inokis perceberam que Vince não ia ser capaz de me impedir de combater para eles, eles foram em frente e construíram a sua companhia à minha volta. Largamos a correr, e antes que alguém percebesse, eu derrotei Fujita e Chono numa Triple Threat Match para conquistar o IWGP World Heavyweight Title.

Um dos meus antigos treinadores costumava-me dizer que 80 por cento das coisas em que nós gastamos o nosso tempo a preocupar e a ter pesadelos, realmente nunca aconteciam. Passamos tanto tempo das nossas vidas a torturar os nossos cérebros sobre coisas que nunca se materializam. É tudo um desperdício de tempo valioso, mas eu sou o primeiro a admitir que eu não percebia isso até entrar para o UFC e focar-me nas coisas realmente importantes da vida. Na altura em que tive de viajar por todo o Japão apenas para ganhar a vida, a espada ainda estava na minha garganta, e era difícil ter uma visão positiva sobre qualquer coisa.

Com toda esta negatividade à minha volta, não demorou muito para eu voltar para o “vodka-e-Vicodin”. Brad ligou-me no outro dia para perguntar sobre este livro, e ele estava-me a lembrar de um combate que tive com um lutador japonês chamado Nakanishi. Brad achava que foi um dos melhores combates que ele me viu lutar, e nós os dois lembramos que eu ficava a arremessar o pobre homem. Infelizmente, isto é tudo o que me lembro sobre o combate. Brad lembra-se muito mais sobre ela, mas quando tu estás a envenenar o teu sistema com comprimidos e álcool, a tua memória é uma das primeiras coisas que ficam afetadas.

Eu poderia imaginar um monte de razões pelas quais eu voltei para aquele comboio das drogas-e-bebida de novo, mas é tudo um conjunto de desculpas. As minhas costas estavam-me a matar naquele momento, e eu estava em constante dor. Fui para o hospital para uma ressonância magnética e descobri que tinha rompido duas vértebras, o que significava que estava a voar por todo o mundo a combate com as costas partidas. Os médicos estavam-me a dizer que a minha situação era suficientemente grave, que eles estavam a recomendar fortemente uma cirurgia. Não, obrigado. Não para mim. Eu sabia também de muitos atletas que passaram por cirurgias nas costas, e nunca recuperaram. Eu iria passar por isso sozinho. Mas isto é muito mais fácil dizer do que fazer!

Eu estava a ter o que é chamado de lutas de "estilo forte" contra todos os lutadores de topo que a New Japan tinha para oferecer. Na WWE, todo o mundo desempenha um estilo muito "seguro", ou tão seguro quanto o wrestling profissional pode ser, uma vez que a empresa está construída sobre o nome de "entretenimento". Na New Japan Pro Wrestling, os lutadores saem do normal para tentar convencer o público que o pro wrestling ainda é um pouco verdadeiro. Os oficiais realmente incentivavam os lutadores para irem lá e darem tudo de si. Se alguém se magoa, é considerado "bom para o negócio."

Eu não me importava fazer wrestling de "estilo forte", mas fazê-lo com duas vértebras rompidas era simplesmente estúpido da minha parte. Eu voltava ao meu balneário com Brad e desmaiava de dor. Eu não queria deixar ninguém saber como eu estava realmente a sentir, então a única maneira de mascarar tudo era engolir mais Vicodins e engoli-los com mais vodka. Eu estou tão abençoado que estou vivo para contar esta história, porque há um monte de pessoas que passaram pela mesma coisa que eu, que não estão mais por aqui hoje em dia.

Graças a Deus eu acordei uma manhã e decidi que o suficiente era o suficiente. Eu sabia que se continuasse a viver assim, um dia iria simplesmente parar de viver. Eventualmente, as probabilidades alcançam-te. Não há como escapar à inevitabilidade de que algo irá dar errado. Quer se trate de asfixia no seu próprio vómito enquanto estás a dormir, ou sofrer uma queda enquanto estás confuso e a esmagar a sua cabeça, há muitas maneiras de estragar tudo quando vocês nublam vossos próprios sentidos a ponto de que vocês estão insensíveis a tudo.

Então, eu simplesmente parei, de repente. Eu não parei porque fui a alguma reabilitação patrocinada pela WWE. Eu não parei porque fui para terapia ou aconselhamento, ou qualquer coisa assim. Eu parei, porque queria ver a minha filha, Mya crescer, e eu sabia que não ia estar lá para ela se eu continuasse a ir na direção errada.

O meu momento não poderia ter sido melhor. Os Inokis estavam a ter um monte de problemas internos com a sua empresa, e eu sabia que a New Japan estava numa desaceleração. O meu tempo na organização deles estava rapidamente a chegar ao fim, mas eu queria sair com um estrondo. E é aí que Akebono entra em cena.


Traduzido por: Kleber (nWo4Life)

Adaptado por: FaBiNhO

No próximo capítulo: A segunda parte da história de Lesnar com a NJPW, e a última confrontação judicial com a WWE! Se você perder o próximo capítulo, ganhará uma passagem só de ida para Suplex City!

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