terça-feira, 1 de março de 2016

Brock Lesnar: Death Clutch - Parte III (Cap. 25) | Literatura Wrestling

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Com o objetivo de divulgar histórias contadas pelos próprios lutadores em livros adaptados e traduzidos pelos colaboradores deste blog, a Literatura Wrestling trás, nestes próximos meses, toda a vida de uma das estrelas mais conhecidas no mundo do wrestling atualmente num só livro.

Semanalmente será publicado uma parte do livro "Brock Lesnar: Death Clutch", escrito e publicado em 2011 pelo próprio Brock e por seu amigo de longa data, Paul Heyman, começando pelo prefácio e acabando nos agradecimentos (parte final do livro). Esperemos que gostem das histórias!


Parte III: A Espada na Minha Garganta
“O MEU NÃO-TÃO-SECRETO ENCONTRO COM VINCE”

Eu fui o último homem cortado da equipa dos Vikings. A minha missão nunca foi perseguir uma carreira na NFL, mas sim escapar da WWE. Assim que fui cortado pelos Vikings e deixei Phoenix, passei cerca de trinta dias sem fazer nada a não ser caçar e a pensar no meu futuro.

Eu não tinha interesse em algumas das ofertas estranhas que estavam a ser feitas. Programas de notícias de tablóides queriam me pagar pela minha história? Não, obrigado.

Papéis em filmes de comédia estúpidos? Acho que vou passar esses, também.

Aparições para sessões de autógrafos em shoppings? Lamento, mas isso não é o meu estilo. Eu nunca fui do tipo que se prostitui para ganhar um dinheirinho rápido.

Eu precisava de encontrar algo que eu poderia ficar orgulhoso de fazer, e aproveitar o passeio enquanto durasse. Eu queria fazer algo que os meus pais aprovariam, algo que me permitisse fornecer as coisas para a minha família que eu sempre imaginei que eles iriam ter.

Eu não conseguia descobrir para que lado havia de virar, e então o meu advogado, David Olsen, chamou-me com algumas novidades interessantes. David tinha sido contactado pela New Japan Pro Wrestling, um grande grupo com sede em Tóquio e dirigida por Antonio e Simon Inoki. Eles estavam a pensar em todo o hype que eles poderiam construir em torno de um atirador que se tornou o campeão da WWE mais jovem da história, e estavam à procura de fazer um acordo logo de imediato.

Eu nunca tinha pensado sobre fazer wrestling no Japão, ou em qualquer outro lugar, porque a WWE fez-meassinar aquele acordo de não competição que disse que eu só poderia apenas combater para Vince, e eu pensei que estava na prateleira até 2010. Então, em vez de fazer David contatar os Inokis imediatamente, eu disse-lhe para entrar em contato com a WWE.

Se eu voltasse para a companhia, no entanto, eu não queria que fosse como a primeira vez. Eu queria ter algum controlo sobre quando e onde eu trabalharia. Eu estava a certificar-me de antemão que tinha tempo livre escrito no meu contrato, e eu queria ser pago o que achava que valia a pena.

Durante os próximos meses, David esteve frente-a-frente com os advogados da WWE a tentar descobrir os detalhes. Finalmente, uma reunião um a um, supostamente secreta, entre Vince e eu foi arranjada.

Esta parte ainda me faz rir até hoje.

Assim que eu entrei nos escritórios da WWE, eles tinham câmeras em cima de mim. Mesmo antes de eu e Vince pudessemos dizer “olá” um ao outro, a primeira página do seu site tinha na primeira página "Brock Lesnar reune-se com a WWE!"

Então, num lado do mundo, eu estou a andar no escritório de Vince McMahon para ver se podemos consertar as coisas, deixar tudo para trás, e fazer alguns negócios juntos novamente. No outro lado do planeta, os Inokis provavelmente estavam a ler sobre a minha "reunião secreta" com Vince, e eles poderiam ter começado a pensar que eles estavam numa guerra de ofertas com a WWE.

Ao colocar a nossa reunião "secreta" na Internet, Vince deu-me todos os empurrões que eu precisava para negociar com os Inokis. Ele poderia muito bem ter colocado um grande laço vermelho neste presente de Natal antecipado.Os Inokis tinham colocado tanto esforço em trazer-me para dentro, que agora era uma questão de orgulho para eles. Eles estavam dispostos a pagar o que fosse preciso para me impedir de voltar à WWE.

Eu não queria ir propositadamente para o Japão estabelecer uma vida. Se eu pudesse ter feito do meu jeito, eu iria estar de volta à WWE, mas nos meus próprios termos. Eu fui para aquela reunião com Vince para lhe dar prioridade sobre os meus serviços. Tudo o que ele tinha a fazer era ser razoável comigo. Se ele me queria de volta, ele teve essa oportunidade. Se ele não me queria de volta, então eu estava apenas a perder o meu tempo para que Vince pudesse olhar-me nos olhos e dizer-me como ficou desiludido por ter saído. Era a sua decisão, e não ia demorar muito para eu descobrir o caminho que a reunião estava a tomar.



Vince convidou John Laurinaitis a juntar-se a nós na reunião. Laurinaitis tinha substituído Jim Ross como chefe do departamento de relações de talentos, e Vince queria que ele se sentasse connosco enquanto falávamos dos assuntos. Eu não fui de rodeios, então eu disse a Vince... bem à frente de John... que estávamos a começar com o pé errado.

"Eu pensei que isto ia ser mano a mano", disse a Vince. Obviamente, ele tinha outras ideias.

"Bem, Brock," disse Vince, dando o tom para toda a reunião, "John administra as relações de talentos, e eu estaria a desrespeitá-lo se lhe pedisse para sair desta reunião. Eu estaria-o a excluir de uma reunião que afeta todo o seu departamento."

Tudo o que eu conseguia pensar era, "Apenas vai logo para a parte sobre o meu acordo. Eu estou aqui há menos de dez minutos, e já estou a odiar a experiência!"

Antes de podermos falar de dinheiro, Vince e John tiveram que jogar os pequenos jogos mentais comigo. John começou a falar sobre a tatuagem no meu peito, e até me pediu para tirar a minha camisa. Logo ali. No meio de uma reunião de negócios. E não apenas qualquer reunião de negócios, mas aquela em que as pessoas envolvidas estavam a tentar colocar um monte de animosidades para trás. Havia problemas que tiveram um monte de tempo para serem trabalhados, mas os dois lados ainda estavam quentes. Nós estávamos a tentar encontrar uma maneira de trabalhar juntos novamente, para um ganhar dinheiro com o outro, e o chefe do departamento de talentos quer que eu tire a porcaria da minha camisa no escritório do presidente, para que eu pudesse mostrar a minha nova tatuagem?

Que se lixe.

Foi aí que Vince definiu a sua posição, e disse-me que eu teria que começar tudo de novo, porque eu abandonei no meu primeiro acordo. "Começa no fundo, e trabalha o teu caminho de volta até ao topo!", diz-me ele. "Esta é a única maneira de que isto vai funcionar!"

Vince não estava a falar de um push. Ele estava a falar na folha de pagamento. Eu teria de voltar para um negócio por muito menos dinheiro do que eu fazia. O fato de que eu tinha saído no topo não significava nada. Vince estava-me a oferecer um contrato de novato, e ele sabia que era um completo insulto.

Não importava que o meu valor ainda estava alto, que eu deixei derrotar-me pelo Eddie Guerrero pelo título e pelo Goldberg na WrestleMania. Não importava que eu pudesse estar de volta ao topo a qualquer momento, ou que eu poderia estar de volta, dando a Vince muito dinheiro com a reintrodução correta, na história certa, ou até mesmo no segmento certo.

Vince queria-me intimidar como ele faz com todos os outros, porque a maioria das pessoas que acabam mal com Vince McMahon não têm sequer um pote para urinar. Eles têm que rastejar com as suas mãos e nos seus joelhos de volta, implorando por restos.

Bem, eu tive uma tonelada de problemas e uma tatuagem que simboliza a espada que eu senti que tinha na minha garganta, mas eu não ia deixar ninguém falar comigo como se eu fosse um pedaço de porcaria. Vince estava a falar comigo como se eu fosse algum parvo que não tinha mais para onde ir.

O que Vince nunca entendeu sobre mim é que eu sou, no fundo, ainda um garoto pobre daquela quinta em Webster, Dakota do Sul. Sim, eu vivi a vida de uma estrela do rock por alguns anos na WWE, mas eu sabia que poderia ser feliz com a minha futura esposa não importando o que eu fizesse para viver ou quanto dinheiro eu ganhei.

Se eu tivesse a quinta para sustentar a minha vida, eu seria um feliz agricultor, casado com a mulher que eu amo e satisfeito comigo mesmo, porque eu nunca deixei ninguém falar comigo da maneira que Vince falou naquela reunião. Ele poderia ter-me de volta a quase cem por cento nos seus termos, exceto com um pouco de concessão sobre a agenda, e ele estragou tudo.

Depois de ter saído da minha reunião "secreta" com Vince naquele dia, eu fui para o aeroporto. Rena telefonou-me para saber o que tinha acontecido, e eu disse-lhe que a reunião correu bem. Eu também disse a ela que eu tinha engolido o meu orgulho, e parecia que eu voltaria a trabalhar para Vince. Mas antes de fazer a decisão final, eu queria ver o contrato que os seus advogados deveriam ter enviado para David Olsen. Quando recebemos o contrato escrito de Vince, ainda me parecia um acordo de novato, por dinheiro de novato, sem mais os dias de folga que eu tinha dantes. Esse foi o momento em que eu decidi que iria descobrir o que os Inokis estavam dispostos a pagar-me para lutar no Japão.

Brad Rheingans tinha vindo a trabalhar com a NJPW à cerca de 19 anos, por isso tenho a certeza de que tenho ele no negócio. Com Brad na minha equipa, tinha a pessoa perfeita para me falar sobre a forma como os Inokis faziam negócios. Eu sabia que ir para o Japão poderia seria algo grande, mas eu também sabia que teria que ter uma boa estratégia para ganhar esse tipo de dinheiro dos Inokis.

Eu também imaginei que Vince McMahon iria fazer de tudo no seu poder para me impedir de sustentar a minha vida.


Traduzido por: Kleber (nWo4Life)

Adaptado por: FaBiNhO

No próximo capítulo: Brock Lesnar nos contará sobre o reencontro com Vince McMahon! Se você perder o próximo capítulo, ganhará uma passagem só de ida para Suplex City!

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1 comentário(s):

Maikon Jn disse...

Incrível eu estou salvando tudo no World para depois ler kkk.. muito show ter esse conteúdo pois aqui no Brasil não tem esse livro todo em português. Parabéns.