quarta-feira, 29 de maio de 2013

Mac in Touch #35 - "Vocês sabem do que estou a falar!"

Gostou deste artigo? Então clique nos botões ao lado para o curtir! Se assim o desejar, deixe-nos um comentário no fim que nós e os visitantes agradecemos!


Mais uma quarta-feira, mais um Mac in Touch. Agradeço imenso o vosso feedback no último artigo, espero continuar a receber o mesmo. Lamento se não respondi na hora a todos os comentários, mas podem ir "checkar" a minha resposta aos mesmos, que ao "fecho desta edição" já lá estarão ;).

O tema de hoje é um certo desabafo sobre uma certa personalidade... e vou ter de manter esta postura "vaga" porque é sempre difícil falar de alguém enraizado no poder e fica bonito ilustrá-lo desta maneira.....

"Vocês sabem do que estou a falar!"

A  última impressão de “x” costuma ser aquilo que fica mais na retina de quem vê esta incógnita no período entre a a última e a próxima vez que há um encontro com a mesma. 

Trocando por miúdos, digamos que depois de um jantar de curso bem regado vão para um sítio onde há muito par de pernas e de olhos com quem socializar. Conhecem uma rapariga (ou um rapaz, conforme a orientação de quem me lê) e ficam a falar com ela/e a noite inteira. Levam-na ao táxi (partindo do pressuposto que ambos são pessoas responsáveis e que ao adivinhar uma noite com alcoól optaram por esta via para chegar a casa)  dizem qualquer coisa completamente estúpida e fora de contexto. Digamos “gosto de sardinha com feijão”. Ela assente simpaticamente com o olhar, e entra dentro do táxi sem que haja o tal início de acção que desejariam. Ficou com o vosso número, mas não receberam uma única chamada e só depois de a encontrarem outra vez, por acidente, ela vai descortinar que não são apenas o “sardinha com feijão”, são muito mais que isso – uma pessoa inteligente, sensível e amável, com lógica no discurso, entrando o alcoól como atenuante para o desastrado vomitado verbal com que a brindaram. Ela gosta, é certo... mas entre o primeiro e o segundo encontro tem a cabeça completamente feita em relação a vocês e toma-vos como lunáticos, pessoas não-dignas da sua atenção.

É assim no mundo dos relacionamentos, é assim no showbiz. A última piada do stand-up comedian tem de fazer rir o público mais do que qualquer outra; a última cena de uma peça de teatro tem de ser inesquecível; a última música do encore tem de deixar os fãs vidrados e sedentos de mais.

O wrestling não foge à regra, portanto. A imagem que fecha um show normalmente costuma ser aquela que mais fica na retina de quem o vê. Aquela cena que costuma ser o destaque de todo o episódio, foi à volta daquilo que tudo antes foi construído e será sempre o cartão principal para quem comenta o evento no dia a seguir, seja entre amigos ou profissionalmente.

As últimas duas Monday Night RAW’s, programa-bandeira da WWE, tiveram no main event um nome comum: Curtis Axel. O novo agenciado por Paul Heyman esteve nos dois combates e logo frente a enormes estrelas de gerações, nomes que podem até confundir-se com as respetivas épocas. Primeiro foi Triple H, depois John Cena.

Ambos os combates foram vencidos por Axel, sempre pela mesma via: count-out... mas o propósito pareceu ser outro:

- Depois de atirar com Axel para fora do ringue, HHH começa-se a sentir indisposto, senta-se numa cadeira, refresca-se, tenta reerguer-se mas cai... e essa é a imagem que passa – a etrela antiga está cada vez menos disposta a estas andanças, está em queda. É com uma imagem dele, cansado, que termina a RAW.

- No combate com Cena, uma ambulância entra na “zona de espectáculo”, o campeão da WWE sai do ringue desperto pela curiosidade e pela vontade de enfrentar um lutador que ele irá encontrar no próximo PPV com a estipulação final de um 2/3 Falls de Ambulance Match. A distracção custa-lhe o combate, Ryback aparece depois e ataca Cena, ficando por cima. A imagem de Cena no chão é mostrada e bem evidenciada como se deve fazer... mas a imagem que encerra a RAW é a de Curtis Axel com a mão erguida por Paul Heyman, dando relevo à sua vitória.

Sendo Axel um lutador “novo” e, aparentemente, alguém para ser levado a sério pelo público e pela própria WWE, deve receber o máximo de push que fôr possível obter. Ninguém pede vitórias limpas, mas dar-se a entender que foi um lutador “velho” que perdeu e não um “novo” que ganhou tira-lhe muito crédito. E a imagem que passa é a da degradação do primeiro em vez da seriedade com que deve ser encarado o segundo. Não deveria ser assim...

... ou a ser, os papéis deveriam estar trocados porque Axel derrotou o maior campeão em título da WWE e isso foi muito mais evidenciado, fazendo agora sentido que ele se intrometesse na disputa do mesmo... caso contrário, encontraríamos um buraco que só poderia ser tolerado ou menos evidente caso a vitória, lá está, não fosse tão evidenciada. Mas não foi assim que a WWE, ou um membro da sua equipa criativa decidiu que fosse. Valorizou-se mais a vitória sobre o campeão do que sobre o homem da “velha guarda”, e esta história teve tanta importância como a derrota de quem está no topo da hierarquia atual da companhia.

Estranho? Para quem anda nestas vidas há tempo suficiente e/ou sabe das polítiquices que contaminam o balneário de uma grande companhia de wrestling influenciando as suas histórias, não o será. Não o é para mim. Para mim, estranho é alguém que já se tornou tão grande, achar que precisa de se tornar maior, é ter sede de ficar na história da indústria a todo o custo, mesmo que se dificulte a sua sustentabilidade... estranho é ter-se um complexo de inferioridade quando já se conquistou tanto e tanta influência se tem para contornar uma derrota ou algo que prejudique a sua personagem.

E como diria Óctavio Machado, “Vocês sabem do que estou a falar!”.e 

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Enviar um comentário

O blog tem os comentários abertos a todos aqueles que gostem de wrestling e o queiram discutir com responsabilidade e sobretudo de maneira construtiva.

Não são permitidos insultos pessoais entre leitores, bem como a autores do blog. Não é permitido spam. Qualquer comentário fora do contexto, fica a cargo da administração a decisão da sua permanência.

11 comentário(s):

cadu disse...

Não sou muito fã de entradas (principalmente de lutadores que já foram marcados como de Axel ex-McGillicutty) entrarem diretamente no Main Event... creio q deveria ser igual Fandango ir subindo para solidificar a Gimmick, vejo logo o Fandango com o USA e depois quem sabe o Tag e daqui um tempo lutando pelo Main Event..

Neste caso que se refere, não só enfraquece o show, mas também desgasta a imagem de Axel, mesmo sem ter tempo pra isso afinal ninguém o conhece a ponto destes finais boring.

Boa colocação no artigo!

Cris disse...

o poder instaurado é tao forte que nos leva a fazer a pergunta "fazer o que?". restam estas cronicas para a comunidade queixar-se, mas nada mais.

vais fazer a análise ao slammiversary como fizeste ao extreme rules?

Anónimo disse...

Era muito bem jogador fazeres a análise ao slammiversary :D

mais um bom artigo.

T.

Mintz disse...

contamos com a tua análise ao slammiversary! ;)

Anónimo disse...

mintz, assino por baixo!

Anónimo disse...

vais fazer a análise ao slammiversary como fizeste ao extreme rules?

#2

ps - é impressão minha ou o pessoal aqui no WN tá cada vez mais viciado em TNA???

Anónimo disse...

queremos a análise ao slammiversary by pete o'mac!!!!!

Helton (o do Porto mm) disse...

penultimo anonimo , a mim parece-me e k anda uma pessoa a perder tempo e a escrever pra i 3 ou 4 coments a falar na TNA

Anónimo disse...

TNA! TNA! TNA! TNA!

Anónimo disse...

TNA > WWE

Pete O'Mac disse...

Obrigado a todos pelos comentários. Não tenho tempo para responder de forma devida, individualmente mas fa-lo-ei!

Vim aqui para responder: sim, está previsto fazer-se a análise ao Slammiversary como se fez ao Extreme Rules! :) Obrigado pelos pedidos, deixam-me orgulhoso